Carne bovina na Grécia sobe 28,4% com queda da produção na UE
Em julho de 2026, a carne bovina na Grécia custava 28,4% mais do que em dezembro de 2024, com a maior parte da alta concentrada em 2025. Importações mais caras e a queda da produção bovina na UE mantêm os preços no atacado e no varejo próximos dos picos.
Alta perde força, mas não é revertida
Em julho de 2026, a carne bovina na Grécia custava 28,4% mais do que em dezembro de 2024, segundo dados divulgados pelo Pelop.gr. Quase todo o aumento ocorreu em 2025, quando os preços avançaram 26,9%. Entre dezembro de 2025 e julho de 2026, houve uma alta adicional de 1,2%. A inflação desacelerou fortemente, mas não houve recuo relevante em relação aos picos do ano anterior.
Uma quantidade de carne bovina que custava €100 em dezembro de 2024 teria chegado a €128,40 em julho de 2026 caso acompanhasse a variação média. O preço efetivo depende do produto, do corte e do varejista, mas a comparação mostra o tamanho do ajuste enfrentado por consumidores e compradores profissionais.
A inflação anual também diminuiu devido à mudança da base de comparação. Em janeiro de 2026, a carne bovina estava 25,4% mais cara do que um ano antes; em julho, a alta era de 14,3%. Isso não significa uma queda de 11,1 pontos percentuais nos preços das lojas: julho de 2026 está sendo comparado com julho de 2025, quando a forte escalada já havia começado.
Custo das importações chega ao mercado grego
A Grécia depende fortemente da carne bovina importada, pois a produção nacional cobre apenas uma parcela menor da demanda. Os preços mais altos em outros mercados europeus passam, portanto, dos contratos de importação para o atacado grego e depois para o varejo.
Em 2025, a Grécia pagou mais de 25% a mais por aproximadamente o mesmo volume de carne bovina fresca importada, informou o Pelop.gr. As importações de carne bovina congelada cresceram apenas 5% em volume, enquanto o valor total saltou 48%. O país comprou um pouco mais de produto, mas pagou muito mais por ele. O valor das importações gregas de todas as categorias de carne superou €2 bilhões.
Os números indicam pressão contínua sobre importadores, processadores e varejistas, mesmo com a desaceleração da inflação ao consumidor. Enquanto a reposição continuar cara, a menor velocidade dos reajustes não abre automaticamente espaço para grandes descontos no atacado. Os compradores também permanecem expostos às condições de produção em todo o mercado europeu.
Oferta bovina da UE continua restrita
A produção de carne bovina da UE caiu 2,2% em volume nos primeiros quatro meses de 2026, enquanto o número de animais enviados ao abate recuou 4,3%. A Comissão Europeia prevê novas quedas da produção em 2026 e 2027 devido à redução do rebanho. Também espera que os preços permaneçam altos, apesar de algum alívio no início de 2026.
Os custos de ração, energia, transporte, mão de obra e atendimento veterinário ampliam a restrição da oferta. O longo ciclo da pecuária bovina impede que os produtores aumentem rapidamente o número de animais disponíveis em resposta aos preços mais altos. Fora da Europa, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura registrou uma forte alta dos preços internacionais da carne bovina em 2025, diante do aumento da demanda e da disponibilidade limitada nos principais países fornecedores. Seu índice mundial de preços da carne ficou, em média, 5,1% acima de 2024, mantendo o risco de custos de importação e preços elevados na Grécia.