Canadá busca bloquear compra da Green Giant e Le Sieur pela Nortera
O Bureau da Concorrência do Canadá pediu ao Tribunal da Concorrência que bloqueie a compra das marcas Green Giant e Le Sieur pela Nortera Foods junto à B&G Foods. O regulador afirma que a operação eliminaria o único grande concorrente nacional da Nortera em segmentos de vegetais enlatados e congelados.
Regulador contesta união de grandes marcas
O Bureau da Concorrência do Canadá busca bloquear a proposta da Nortera Foods para adquirir da americana B&G Foods as marcas Green Giant e Le Sieur de vegetais enlatados e congelados no Canadá. Segundo a The Canadian Press, o órgão pediu ao Tribunal da Concorrência que impeça a transação e proíba as empresas de concluí-la antes de uma decisão.
A Nortera anunciou o acordo em outubro de 2025. A empresa, sediada em Brossard, Quebec, já processa determinados vegetais enlatados e congelados sob as marcas Del Monte e Arctic Gardens. O bureau classifica a Nortera como a processadora dominante do Canadá nessas categorias. A companhia também é a produtora exclusiva de Green Giant e Le Sieur no país há 30 anos, mantendo assim uma relação operacional de longa data com as marcas que agora pretende controlar.
Bureau alerta para preços maiores e menos opções
O Bureau da Concorrência argumenta que a aquisição uniria a Nortera ao seu único grande concorrente nacional de marca em um mercado já altamente concentrado. A eliminação da disputa entre as empresas poderia elevar preços, reduzir opções e enfraquecer a concorrência no fornecimento atacadista de vegetais enlatados e congelados aos supermercados canadenses. Durante uma entrevista coletiva, a comissária adjunta associada da divisão de fusões, Ariane Jaros-Denis, afirmou que a B&G Foods compete de forma intensa com a Nortera por meio de marcas conhecidas pelos consumidores canadenses.
O regulador também teme que a empresa ampliada dificulte a entrada de novos participantes no setor. A questão vai além da propriedade de duas marcas de consumo: barreiras no processamento, na produção e no atacado podem limitar o acesso de fornecedores menores à capacidade industrial e às prateleiras. O tribunal terá de avaliar se a atual relação de produção da Nortera com Green Giant e Le Sieur tem efeitos concorrenciais diferentes daqueles gerados pela propriedade integral das marcas.
Nortera aponta pressão das importações
A Nortera declarou que a operação atende aos interesses do Canadá e apoiaria a viabilidade de longo prazo da produção nacional de vegetais em um momento de maior pressão das importações. A empresa informou que analisa a posição do bureau e continua discutindo com a B&G Foods os próximos passos. Não foi divulgado um prazo para a decisão. Caso o tribunal conceda a restrição provisória solicitada, as companhias não poderão concluir o negócio antes do julgamento.
A contestação ocorre enquanto o Bureau da Concorrência intensifica a análise da cadeia de alimentos do Canadá após a perda de poder de compra durante a inflação que se seguiu à pandemia de COVID-19. O órgão realizou um estudo mais amplo do mercado de supermercados em 2023. Dois anos antes do caso Nortera, também abriu uma investigação sobre as controladoras das redes Loblaws e Sobeys por supostas práticas anticompetitivas e cláusulas de controle imobiliário capazes de limitar a concorrência no varejo. Para processadores de vegetais, varejistas e fornecedores, o caso Nortera mostrará como o regulador pondera os argumentos em defesa da produção doméstica diante dos riscos de concentração em categorias alimentícias consolidadas.