Atrasos de usinas desviam cana de Madhya Pradesh para produção de jaggery
Produtores de Madhya Pradesh vendem mais cana a fabricantes de jaggery porque as usinas demoram a pagar, segundo a Patrika. Cerca de 3.500-4.000 unidades produzem jaggery, cujo volume chegou a 2,3 milhões de quintais, ante 2 milhões de quintais de açúcar.
Pagamento imediato redireciona a cana
Os produtores de cana-de-açúcar de Madhya Pradesh estão destinando uma parcela crescente da safra às unidades de jaggery, pois os atrasos nos pagamentos reduzem a atratividade das usinas de açúcar e khandsari. A Patrika relata que a mudança é visível em um distrito conhecido como o “açucareiro” do estado, onde os fornos de jaggery se tornaram um importante destino alternativo para a matéria-prima.
O principal fator é o prazo de pagamento. Alguns agricultores vendem diretamente aos operadores de jaggery porque precisam de dinheiro imediato para o próximo ciclo agrícola, enquanto o pagamento das usinas pode demorar mais. A necessidade de caixa nas propriedades passa, assim, a determinar o destino da cana colhida, independentemente da demanda de longo prazo por açúcar processado.
Produção de jaggery supera a de açúcar
Segundo os números publicados pela Patrika, cerca de 3.500-4.000 unidades de jaggery operam em Madhya Pradesh. A produção deste ano chegou a 2,3 milhões de quintais, superando os 2 milhões de quintais de açúcar informados. A comparação indica que processadores pequenos e dispersos já absorvem uma parcela substancial da cana disponível no estado.
Os dados não permitem confirmar se todo o jaggery e o açúcar foram produzidos no mesmo distrito ou em condições diretamente comparáveis. Ainda assim, mostram a dimensão do mercado alternativo. O jaggery deixou de ser apenas um canal complementar para os produtores: seu volume informado é superior ao do açúcar, apesar da associação histórica da região com o processamento industrial.
Liquidez vira vantagem na compra
Para as usinas de açúcar e khandsari, a mudança cria um problema de abastecimento diretamente ligado ao capital de giro. A cana é perecível e precisa ser transportada rapidamente após a colheita. Compradores capazes de pagar sem demora podem, portanto, garantir suprimento mesmo quando as grandes fábricas têm sistemas de aquisição mais formalizados. Se as usinas não reduzirem os prazos de pagamento, os fabricantes de jaggery poderão continuar captando a cana necessária para manter a utilização da capacidade industrial.
Para os agricultores, a decisão reflete a necessidade de caixa, e não apenas a preferência entre dois produtos. O recebimento rápido financia o preparo do campo, os insumos e o próximo ciclo de plantio. Para processadores e analistas, a diferença de produção sinaliza uma mudança na distribuição local da matéria-prima: a liquidez das usinas está moldando o mix de produtos antes que o movimento dos preços do açúcar determine sozinho as decisões de processamento.
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