Camboja e Malásia aceleram exportações de durião à China antes da safra vietnamita
O Camboja enviou um recorde de 5.738 toneladas de durião à China nos primeiros sete meses de 2026, enquanto o valor das exportações malaias da fruta fresca cresceu 342% no primeiro semestre. O Vietnã continua sendo um fornecedor muito maior, mas a próxima colheita de 1,31 milhão de toneladas ampliará a pressão sobre vendas e qualidade.
Camboja encurta o transporte até a China
O Camboja exportou um recorde de 5.738 toneladas de durião à China nos primeiros sete meses de 2026, quase 40 vezes o volume de todo o ano de 2025, informou o VietNamNet, citando a Agência de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã. O avanço ocorreu após a abertura, no fim de junho, de um novo corredor transfronteiriço para produtos agrícolas via Laos.
No novo sistema intermodal, os produtos cambojanos seguem por estrada até o Laos e depois são conectados à ferrovia China-Laos. O prazo de entrega pode cair para cerca de uma semana, ante 15-20 dias pelo mar. Para uma fruta altamente perecível, a viagem mais curta favorece a conservação e oferece maior flexibilidade aos fornecedores cambojanos no atendimento aos compradores chineses.
Malásia avança a partir de uma base menor
A Malásia também amplia sua presença. As exportações de durião fresco à China somaram US$ 30,26 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 342% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o VietNamNet. Embora Malásia e Camboja ainda operem em menor escala, o crescimento mostra a rapidez com que novas origens entram na China, descrita pela publicação como o maior mercado importador de durião do mundo.
A concorrência aumenta enquanto a China reduz as compras do sul da Tailândia após encontrar frutas imaturas em remessas recentes. Diante do risco de excesso de oferta, o Ministério do Comércio tailandês adotou medidas emergenciais para estimular o consumo de cerca de 300.000 toneladas de durião do sul.
Maior produção pressiona os preços tailandeses
A produção de durião no sul da Tailândia é estimada em cerca de 752.515 toneladas nesta temporada, 30% acima do ano passado, e aproximadamente 489.199 toneladas continuam sem venda. Os preços caíram no início da safra com o enfraquecimento da demanda chinesa, enquanto problemas de qualidade e a concorrência de outros países produtores aumentaram a pressão.
O durião Monthong tailandês das categorias A e B custa atualmente 85-105 bahts por quilograma (US$ 2,54-US$ 3,14). A categoria C é vendida por 60-80 bahts por quilograma (US$ 1,79-US$ 2,39), enquanto a D vale 40-55 bahts por quilograma (US$ 1,20-US$ 1,64). Esses níveis mostram o impacto comercial da desaceleração das compras chinesas em uma temporada de oferta crescente.
Vietnã entra na principal janela de colheita
O Vietnã permanece como um fornecedor de escala muito maior. As exportações de durião à China superaram 288.000 toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento anual de 50,7%. O valor ficou próximo de US$ 987 milhões, alta de 43,1%, e a China respondeu por 91% de toda a receita vietnamita com a exportação da fruta. A Associação de Frutas e Hortaliças do Vietnã estimou que as exportações nacionais chegaram a US$ 1,8 bilhão nos primeiros sete meses.
O Ministério da Agricultura e Meio Ambiente do Vietnã prevê produção nacional de 2,08 milhões de toneladas em 2026. Até o fim de julho, 768.000 toneladas haviam sido colhidas, restando uma previsão de 1,31 milhão de toneladas para os últimos cinco meses. Apenas o Planalto Central deverá fornecer 850.000 toneladas, com o pico da colheita entre agosto e outubro.
Esse calendário aumentará a pressão sobre processadores, comerciantes e exportadores para escoar a fruta sem comprometer a qualidade e o cumprimento das exigências. Mais de 90% da receita vietnamita de exportação de durião depende da China, deixando o setor exposto a mudanças na demanda ou na política chinesa de importação. Os estoques não vendidos da Tailândia e o rápido avanço de Camboja e Malásia acrescentarão concorrência justamente quando os maiores volumes vietnamitas chegarem ao mercado.