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Calor e intervalo sazonal reduzem oferta de tomate fresco na Tunísia

O calor do verão danificou plantações tardias durante a transição entre ciclos produtivos na Tunísia. Em Zaghouan, os preços chegaram a 3,6-4 dinares por quilograma, e a pressão pode persistir até outubro ou novembro.

Calor e intervalo sazonal reduzem oferta de tomate fresco na Tunísia

Danos do calor aparecem na safra de outono

O tomate fresco ficou menos disponível na Tunísia depois que o calor do verão danificou plantações tardias e o mercado entrou na transição entre dois ciclos produtivos. Representantes do setor citados pela Tunisie Numérique não consideram, por enquanto, que exista uma escassez nacional. Eles avaliam, porém, que a menor disponibilidade pode manter a pressão sobre a oferta e os preços até outubro ou mesmo novembro.

Adel Antit, representante da cadeia do tomate, disse à Diwan FM que parte da produção destinada ao atual período de abastecimento foi plantada a partir do fim de junho. Vários episódios de temperaturas elevadas coincidiram com essa fase sensível, danificaram ou destruíram mudas e reduziram a área que efetivamente chegou à produção. Médani Dhaoui, presidente do Sindicato Tunisiano dos Agricultores, afirmou ao programa Ahla Sbeh que o calor durante a floração provocou a queda das flores e retardou o desenvolvimento dos frutos, diminuindo a produtividade da safra de outono.

Transição produtiva amplia as perdas

O choque climático coincidiu com uma mudança sazonal das origens da oferta. Abdallah Sahraoui, presidente do Sindicato dos Olivicultores do Sahel, afirmou que parte da produção em estufas do Sahel está terminando, enquanto as safras sazonais de áreas como Sidi Bouzid e Kasserine chegam gradualmente ao mercado. Só a província de Monastir possui cerca de 10.500 estufas, segundo Sahraoui, o que torna o calendário dessa transição relevante para o volume disponível em todo o país.

O calor não foi a única causa dos danos. Sahraoui também citou o granizo, e houve relatos de perdas em Sejnane e Garaet, na província de Bizerta, além de Kasserine e Gafsa. A Tuniscope informou que Sabiba, Foussana e Feriana também estão entre as zonas produtoras afetadas pelas condições adversas. Danos simultâneos em várias regiões reduziram a capacidade de uma área compensar a queda da produção em outra.

Preços no varejo superam 3,6 dinares

A restrição da oferta já aparece no varejo. A AllAfrica informou que tomates desapareceram de alguns supermercados e ficaram escassos entre pequenos comerciantes. No mercado semanal de Zaghouan, em 24 de setembro de 2026, o produto foi vendido por 3.600-4.000 milésimos, equivalentes a 3,6-4 dinares por quilograma. Comerciantes entrevistados pela Jawhara FM atribuíram a alta às temperaturas elevadas e à consequente redução da produção, embora tenham considerado possível uma estabilização no próximo período.

O mercado apresentava um cenário muito diferente no início do verão. Segundo dados do Ministério do Comércio e Desenvolvimento das Exportações citados pela Tunisie Numérique, as chegadas de tomate ao mercado atacadista de Bir El Kassaa alcançaram 3.834 toneladas em junho, aumento de 78,3% ante maio. A oferta abundante derrubou o preço médio no atacado em 62,5% em um mês, para 902 milésimos por quilograma. Três meses depois, as perdas nas plantações que deveriam ligar o fim do verão ao início do outono inverteram esse quadro.

Próximas safras definirão o alívio

Antit não apresentou uma previsão nacional de preços e destacou que os valores pagos pelo consumidor variam conforme a região, o canal de distribuição, a qualidade e os volumes locais. Ele também pediu que os consumidores evitem compras apressadas capazes de aumentar a pressão. A normalização depende agora da maturação e da produtividade das próximas lavouras de Sidi Bouzid, Kasserine e outras zonas produtoras. Novos eventos climáticos adversos podem atrasar a recuperação.

A dificuldade no mercado de tomate fresco é diferente dos problemas enfrentados pelo tomate industrial em julho e agosto. Cortes repetidos de eletricidade geraram então o receio de perda de quase 35% da safra envolvida. Em Cabo Bon, somente 5-6 das 14 unidades de processamento funcionavam normalmente ou permaneciam ativas, enquanto as interrupções também prejudicavam a irrigação. Em conjunto, os episódios mostram como calor, granizo, restrições de irrigação, fornecimento elétrico e ciclos produtivos mal sincronizados pressionaram a cadeia tunisiana do tomate em 2026.

Análise completa do mercado

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