Brasil amplia exportações de pimenta apesar da queda de 18,2% nos embarques ao Vietnã
O Brasil exportou 61.272 toneladas de pimenta, no valor de US$ 379,5 milhões, nos primeiros oito meses de 2026. Os embarques ao Vietnã caíram 18,2%, mas o avanço das vendas ao Senegal, Paquistão, Egito e Estados Unidos elevou o volume total em 5,7%.
Volume exportado chega a 61.272 toneladas
O Brasil exportou 61.272 toneladas de pimenta, no valor de US$ 379,5 milhões, durante os primeiros oito meses de 2026, segundo dados do Comex Stat citados pela Associação de Pimenta e Especiarias do Vietnã e publicados pela Tạp chí Công Thương. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume cresceu 5,7% e a receita avançou 5,5%.
Em agosto, os embarques alcançaram 4.273 toneladas, com receita de US$ 26,2 milhões. Em relação a julho, o volume aumentou 28,9% e o valor avançou 27,8%. O preço médio de exportação ficou em US$ 6.140 por tonelada, 0,4% abaixo do mês anterior, mas 9% acima de agosto de 2025.
Vietnã continua como maior comprador apesar da queda
O Vietnã permaneceu como o principal destino da pimenta brasileira entre janeiro e agosto. O país comprou 15.519 toneladas por US$ 94,3 milhões, equivalentes a 25,3% do volume total exportado pelo Brasil. No entanto, os embarques recuaram 18,2% na comparação anual, enquanto o valor caiu 12,8%.
As exportações brasileiras ao Vietnã apresentaram recuperação mensal em agosto, com alta de 78,5% sobre julho, para 291 toneladas. Mesmo assim, o volume ficou 76,6% abaixo do registrado em agosto de 2025. A retomada mensal, portanto, ainda não reverteu a contração mais ampla das compras do maior cliente.
Outros mercados compensam o recuo vietnamita
O Brasil ampliou as vendas para vários outros destinos durante os oito meses. Os embarques ao Senegal cresceram 55,4%, para 6.629 toneladas. O Paquistão recebeu 6.041 toneladas, alta de 125,7%, enquanto as exportações ao Egito avançaram 125,9%, para 5.290 toneladas. As entregas aos Estados Unidos mais que dobraram, com aumento de 104,2%, para 2.407 toneladas.
O crescimento no Sul da Ásia, Oriente Médio, África e América do Norte compensou a menor demanda vietnamita. Também reduziu a dependência brasileira do principal comprador, embora o Vietnã ainda represente cerca de um quarto do volume exportado. Para processadores e traders, uma carteira mais ampla de clientes oferece canais adicionais de venda enquanto as compras vietnamitas permanecem fracas.
Pimenta-preta brasileira mantém vantagem de preço
As cotações da Comunidade Internacional da Pimenta publicadas em 7 de setembro indicavam US$ 5.750 por tonelada para a pimenta-preta brasileira ASTA 570. A pimenta-preta vietnamita estava cotada a US$ 5.990 por tonelada na categoria de 500 gramas por litro e a US$ 6.050 na de 550 gramas por litro. A pimenta-branca do Vietnã valia US$ 8.400 por tonelada.
A pimenta-preta Lampung da Indonésia estava cotada a US$ 6.929 por tonelada e a branca Muntok a US$ 9.487. Na Malásia, a pimenta ASTA custava US$ 9.300 por tonelada na versão preta e US$ 12.200 na branca. Diante dessas referências, a pimenta-preta brasileira permaneceu relativamente barata, favorecendo vendas adicionais em mercados sensíveis a preço durante a retração das compras vietnamitas.