Setor suíno do Brasil amplia diálogo com USDA após recordes de produção e exportação
A suinocultura brasileira ampliou o diálogo com o USDA enquanto o país aumenta a produção e as exportações. Os Estados Unidos compraram apenas 17,8 mil toneladas de carne suína brasileira em 2025, deixando espaço relevante para discussões sobre acesso ao mercado e comércio bilateral.
Produtores brasileiros apresentam a capacidade do setor
A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) ampliou o diálogo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) enquanto o Brasil busca fortalecer sua posição no mercado internacional de carne suína. A gerente de Relações Governamentais da ABCS, Ana Paula Cenci, representou o setor em uma reunião promovida pelo USDA em Brasília para um grupo restrito de representantes de cadeias do agronegócio brasileiro.
O encontro foi conduzido pelo conselheiro agrícola do USDA no Brasil, Frederick H. Giles. Os participantes apresentaram as características de suas cadeias produtivas e discutiram o comércio e o cenário dos mercados internacionais. As conversas ocorrem em um momento de maior atenção às relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, dois grandes fornecedores de proteína animal.
Segundo dados do USDA citados pelo O Presente Rural, os Estados Unidos são o terceiro maior produtor mundial de carne suína e o Brasil ocupa a quarta posição. Cenci afirmou que o diálogo permitiu à ABCS apresentar a realidade da suinocultura brasileira, compreender melhor o ambiente internacional e manter abertos os canais institucionais para questões que afetam o setor.
Produção e exportações bateram recordes em 2025
O Brasil produziu o recorde de 5,656 milhões de toneladas de carcaças suínas em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume foi 5,5% superior ao do ano anterior e o maior desde o início da série histórica, em 1997. O abate sob algum tipo de inspeção sanitária também atingiu um recorde, com 60,69 milhões de suínos.
As exportações acompanharam a expansão da produção. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil embarcou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países em 2025, consolidando-se como o terceiro maior exportador mundial. Essa base ampla de clientes dá aos frigoríficos e exportadores brasileiros uma presença internacional relevante, embora o tamanho de cada mercado varie consideravelmente.
Os Estados Unidos ainda são um destino relativamente pequeno para a carne suína brasileira. Segundo a ABCS, os embarques ao país somaram 17,8 mil toneladas em 2025, diante de exportações brasileiras totais de 1,51 milhão de toneladas. Assim, o mercado norte-americano respondeu por uma parcela limitada das vendas externas, apesar da importância dos dois países na produção mundial.
Diálogo destaca acesso ao mercado e concorrência
Nenhum novo acordo comercial ou medida de acesso ao mercado foi anunciado na reunião de Brasília. Sua importância imediata está no contato direto entre o setor brasileiro e a representação agrícola do USDA, criando um canal para futuras conversas sobre condições de comércio, exigências sanitárias e mudanças no mercado internacional de proteínas.
Para produtores e frigoríficos brasileiros, um acesso mais amplo aos Estados Unidos poderia diversificar a demanda de uma indústria cujos volumes de produção e exportação já estão em níveis recordes. Para os agentes do mercado norte-americano, a escala do Brasil e suas vendas consolidadas para 94 países fazem do país tanto um potencial fornecedor relevante quanto um forte concorrente em terceiros mercados.
A ABCS informou que continuará acompanhando as discussões comerciais internacionais e seus efeitos sobre a cadeia produtiva, mantendo contato com representantes governamentais e entidades do setor. O resultado desse trabalho será relevante para produtores, processadores e comerciantes dos dois países, mas as conversas atuais representam uma preparação institucional, e não um sinal de mudança imediata nos fluxos bilaterais de carne suína.