Azeitonas egípcias mais baratas reduzem a quota exportadora da Grécia
As azeitonas de mesa egípcias ganham espaço na Austrália e noutros mercados internacionais graças a preços mais baixos. Os exportadores gregos enfrentam vendas menores, existências caras e pressão sobre as margens de transformação.
Fornecedores egípcios ganham vantagem no preço
As azeitonas de mesa egípcias, mais baratas, aumentam a pressão sobre a posição exportadora da Grécia, inclusive na Austrália, mercado tradicionalmente importante para produtores e exportadores gregos. O órgão de comunicação agrícola Thessalikigi.gr informa que os fornecedores egípcios conquistaram uma vantagem comparativa à medida que os compradores internacionais exigem propostas cada vez mais baixas.
A pressão competitiva não se limita à Austrália. Os fornecedores gregos já perderam negócios nos mercados do Golfo, enquanto clientes nos Estados Unidos e na Alemanha reclamam dos preços das azeitonas gregas. O desafio abrange vários destinos relevantes: os compradores resistem aos preços gregos ao mesmo tempo que concorrentes de menor custo ampliam a sua presença.
Existências elevadas pesam sobre a nova campanha
A nova campanha comercial começa com existências estimadas em cerca de três vezes o nível do ano passado, segundo o Thessalikigi.gr. A azeitona verde é especialmente importante porque representa aproximadamente 60% das exportações gregas de azeitona de mesa. Parte dessas existências foi comprada a custos mais elevados na campanha anterior, limitando a capacidade de transformadores e exportadores para reduzir os preços de venda.
As estimativas de mercado citadas pela publicação apontam para menor rentabilidade, sobretudo na azeitona verde. No conjunto do ano, as exportações gregas deverão cair cerca de 2% a 2,5% em valor, com uma contração ligeiramente maior em volume. A diferença pode indicar preços efetivos mais fracos ou uma composição de produtos menos favorável, além da redução dos embarques, embora a fonte não apresente uma discriminação detalhada.
Os custos limitam a resposta grega
Os transformadores gregos também enfrentam despesas energéticas mais altas. As empresas precisam equilibrar a procura por ofertas mais competitivas com o custo das existências já registadas nos seus balanços. Os operadores do mercado não classificam a situação como uma crise, mas consideram necessário rever metas de vendas e expectativas de lucro. A combinação de existências elevadas, resistência dos compradores e preços egípcios mais baixos dificulta a proteção das margens.
A diferença de competitividade também está ligada à produtividade agrícola. Espanha e Itália investiram em novas tecnologias e métodos de colheita mais eficientes. A Grécia modernizou a transformação, mas os avanços no campo não acompanharam esse ritmo. As prioridades incluem reorganizar variedades e propriedades, melhorar as estradas rurais e gerir a água de forma mais eficiente. Essas mudanças exigem tempo, investimento, melhor aproveitamento dos instrumentos da Política Agrícola Comum e apoio estatal. No curto prazo, porém, os exportadores gregos precisam defender mercados consolidados como a Austrália e escoar as existências caras sem reduzir ainda mais as margens.