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Preços do azeite italiano caem para metade sob concorrência africana e espanhola

Os preços do azeite virgem extra italiano caíram 50% num ano, para no máximo 4,80 euros por litro, enquanto os lagares detinham 221 mil toneladas de stock não vendido no final de maio, informa o panorama.it. As importações sem tarifas da Tunísia, a produção intensiva espanhola e a rotulagem pouco clara da UE corroem o azeite Made in Italy: 200 mil hectares de olivais abandonados e 20% da capacidade produtiva em risco.

Preços do azeite italiano caem para metade sob concorrência africana e espanhola

Azeite virgem extra italiano sob pressão com preços em queda para metade

O setor do azeite virgem extra da Itália enfrenta uma das suas crises mais agudas em anos, com preços na origem reduzidos para metade e lagares com dificuldade em escoar os seus stocks, segundo o panorama.it. A revista italiana informa que a combinação de importações sem tarifas da Tunísia, produção intensiva espanhola e regras de rotulagem pouco claras da UE está a corroer a competitividade do azeite Made in Italy a poucas semanas da nova campanha de colheita.

Citando um estudo do think tank agrícola Divulga, o panorama.it informa que o preço do produto caiu 50% no último ano, passando de cerca de 9 euros por litro para cotações atuais que não ultrapassam os 4,80 euros. Ao mesmo tempo, os custos suportados pelos produtores italianos aumentaram mais de 200 euros por hectare.

Capacidade produtiva em recuo

O enfraquecimento estrutural da produção italiana é significativo. O panorama.it informa que 200 mil hectares de olivais foram abandonados e outros 300 mil estão a ser desativados, o que equivale a cerca de 20% da capacidade produtiva potencial do país. A bactéria Xylella agravou os danos ao matar 22 milhões de oliveiras na Apúlia, perto de 40% da capacidade da principal região produtora da Itália.

A balança comercial sublinha a lacuna. Segundo dados da Unaprol, o consórcio oleícola nacional, a Itália produz cerca de 234 milhões de litros de azeite virgem extra face a um consumo interno de 461 milhões de litros, exportações de 318 milhões de litros e importações de 545 milhões de litros por ano. Os dados do Ismea, a agência de mercado do ministério da Agricultura, situam o consumo total de azeite em 750 mil toneladas, num valor de cerca de 3 mil milhões de euros. No final de maio, os lagares italianos detinham um stock de 221 mil toneladas de azeite virgem extra, cerca de metade de origem italiana.

Tunísia, Espanha e a guerra de preços

As importações sem tarifas estão no centro da disputa. O panorama.it informa que a UE se comprometeu a importar até 100 mil toneladas de azeite tunisino sem tarifa, depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter incentivado Tunes a aumentar a produção. As diferenças de custos são acentuadas: um apanhador de azeitona na Tunísia recebe 5 dólares por dia, e os custos de produção em África não ultrapassam 1,80 euro por litro, face a um mínimo de 9 euros na Itália. A Itália é o principal comprador da Tunísia, com cerca de 67 mil toneladas das 260 mil toneladas de exportação total do país africano.

Os grandes grupos espanhóis ditam cada vez mais as condições do comércio. Segundo o panorama.it, a Deoleo, o maior engarrafador do mundo, apresenta uma faturação de 2 mil milhões de euros, a Magasa ultrapassa os 2 mil milhões, a Acesur 1,4 mil milhões e a Borges 1,3 mil milhões, ao passo que as vinte principais marcas italianas em conjunto não chegam a 2 mil milhões. Os produtores espanhóis também estão sob pressão: a Declaração de Adamuz, assinada por municípios oleícolas espanhóis, refere que, com um preço médio de 3,51 euros por quilo, mais de 75% da superfície oleícola espanhola opera com prejuízo.

Rotulagem e fraude

As organizações agrícolas italianas ligam a queda dos preços às importações e à adulteração. A Coldiretti e a Unaprol lançaram a partir da Apúlia uma mobilização nacional contra o que designam por invasão de azeite estrangeiro e um impulso à contrafação. David Granieri, vice-presidente da Coldiretti e presidente da Unaprol, aponta a mistura de azeite virgem extra com subprodutos tratados termicamente e as triangulações espanholas com azeites estrangeiros que acabam rotulados como comunitários ou italianos. Nas prateleiras vendem-se como virgem extra azeites abaixo de 5 euros por litro, ao passo que o panorama.it assinala que o custo de produção do verdadeiro virgem extra italiano não pode descer abaixo de 11 euros.

Análise completa do mercado

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