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Aves vão responder por dois terços do crescimento do consumo mundial de carne

A carne de aves passará a responder por dois terços de todo o aumento do consumo mundial de carne, segundo a entidade setorial polonesa Krajowa Rada Drobiarstwa – Izba Gospodarcza. O conselho vê nisso uma grande oportunidade para a Polônia, maior produtora de carne de aves da União Europeia. A projeção indica que a nova capacidade de abate e a demanda por ração se concentrarão na avicultura, e não na suinocultura ou na bovinocultura.

Conselho aponta as aves como motor da demanda por carne

A carne de aves vai responder em breve por dois terços de todo o aumento do consumo mundial de carne, segundo a Krajowa Rada Drobiarstwa – Izba Gospodarcza (Conselho Nacional de Avicultura – Câmara de Comércio), entidade que representa produtores e processadores avícolas da Polônia. O conselho apresenta a projeção como uma oportunidade de peso para o país, maior produtor de carne de aves da União Europeia.

Os dois terços referem-se ao consumo adicional, não à participação das aves no total de carne consumida no mundo. Se dois terços do aumento vão para as aves, suínos, bovinos, ovinos e as demais espécies dividem o terço restante. Essa distribuição eleva de forma contínua o peso das aves na matriz global de proteína animal, mesmo onde o consumo das outras carnes segue crescendo em termos absolutos.

A estimativa foi divulgada sem números de volume nem ano-alvo. Para produtores e tradings, o que importa é a direção: o conselho espera que a nova capacidade de abate e desossa, o plantel de matrizes e a demanda por ração se concentrem nas aves, enquanto a expansão em carne de ruminantes avança mais devagar.

Por que as aves crescem mais que suínos e bovinos

A diferença está na economia da produção e no comportamento do consumidor:

  • Conversão alimentar: o frango de corte transforma grão em carne com mais eficiência que suínos ou bovinos, com menor custo de ração por tonelada.
  • Duração do ciclo: um lote de frangos chega ao peso de abate em semanas, a terminação de bovinos leva anos, de modo que a capacidade reage rápido aos preços.
  • Intensidade de capital: construir galpões e linhas de processamento custa menos por tonelada produzida do que ampliar o rebanho de corte.
  • Preço: o frango é a proteína animal mais barata do comércio internacional, fator decisivo em mercados de renda média, onde a demanda cresce mais rápido.
  • Restrições religiosas: as aves não enfrentam as limitações que atingem a carne suína e chegam a mercados fechados ao produto de porco.
  • Perfil nutricional: a carne branca magra atende à preferência do consumidor por proteína com menos gordura.

O que isso significa para o setor polonês

A avicultura polonesa está estruturada em torno do frango de corte e da exportação. As cadeias são integradas de incubatórios e fábricas de ração até os abatedouros, os custos de mão de obra e de alimentação ficam abaixo do nível da Europa Ocidental e o mercado único garante acesso sem barreiras aos compradores comunitários, que absorvem a maior parte dos embarques poloneses. Fora do bloco, as vendas vão para o Oriente Médio, a África e a Ásia.

Converter o crescimento projetado em volume exigirá mais investimento em abate e desossa, em oferta de matrizes e, para destinos fora da UE, em habilitações veterinárias e na comprovação de ausência de restrições sanitárias. As decisões de capacidade tomadas agora definem quem terá condições de atender essa demanda adicional.

Riscos ligados à projeção

A influenza aviária de alta patogenicidade segue como principal ameaça operacional. Os focos levam a abates sanitários e a embargos regionalizados que fecham mercados de terceiros países em poucos dias, e recuperar o acesso costuma exigir meses de negociação veterinária. Os preços do grão para ração e dos farelos oleaginosos definem a margem que sustenta a vantagem de custo, e ambos são voláteis.

O restante é regulação e concorrência. As exigências comunitárias de bem-estar animal e emissões elevam o custo de produção dentro do bloco, enquanto a liberalização comercial amplia o acesso de fornecedores de fora da UE, entre eles Brasil e Ucrânia, aos mesmos compradores europeus. A projeção do conselho mede o tamanho da oportunidade, não a fatia que os produtores poloneses vão capturar.

Análise completa do mercado

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