Argentina exporta mais vinho, mas receita cai com avanço das vendas a granel
A Argentina exportou 1.480.437 hectolitros de vinho entre janeiro e setembro, alta anual de 3,2%, enquanto a receita FOB caiu 4,7%, para US$ 474,43 milhões. O forte crescimento do vinho a granel, mais barato, reduziu a receita média para cerca de US$ 3,20 por litro.
Mais volume gera menos receita de exportação
A Argentina exportou 1.480.437 hectolitros de vinho entre janeiro e setembro, 3,2% acima do mesmo período de 2025, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Vitivinicultura, o INV, divulgados pela Vinetur. A receita FOB, porém, caiu 4,7%, para US$ 474,43 milhões. As variações publicadas indicam que os exportadores embarcaram cerca de 45.900 hectolitros adicionais, mas receberam aproximadamente US$ 23,4 milhões a menos.
Com base nos totais do INV, a receita média recuou de aproximadamente US$ 3,47 para US$ 3,20 por litro, queda próxima de 7,7%. Os números apontam para uma mudança em direção a produtos, embalagens e destinos de menor retorno por litro, e não para uma contração da demanda externa medida em volume físico.
Vinho a granel avança e produto embalado recua
O vinho a granel respondeu pela maior parte do crescimento. Os embarques chegaram a 406.508 hectolitros, alta de 24,5%, mas seu valor avançou apenas 1,3%, para US$ 32,38 milhões. O preço médio caiu de US$ 0,98 para US$ 0,80 por litro. O vinho embalado seguiu a direção oposta: o volume recuou 3,1%, para 1.073.929 hectolitros, e a receita diminuiu 5,1%, para US$ 442,05 milhões.
Os produtos embalados ainda geram mais de nove de cada dez dólares obtidos com a exportação de vinho. As garrafas representaram 1.038.243 hectolitros, ou 96,7% do volume embalado, ante 34.208 hectolitros em Tetra Brik e 1.231 em bag-in-box. Por isso, o crescimento mais rápido do granel exerceu forte pressão sobre o preço médio de todo o setor.
Vinhos brancos e sem indicação varietal impulsionam o volume
Os vinhos sem indicação varietal cresceram 42,2%, para 234.708 hectolitros, mas a receita caiu 1,3%, para US$ 36,11 milhões. O preço médio passou de US$ 2,22 para US$ 1,54 por litro, enquanto o volume a granel dessa categoria aumentou 213,9%. Os varietais continuaram como a principal categoria de exportação, mas recuaram 2,5%, para 1.199.393 hectolitros, e sua receita caiu 5,5%, para US$ 418,13 milhões.
Os espumantes tiveram desempenho melhor, com aumento de 17,4% no volume, para 46.058 hectolitros, e de 6,2% na receita, para US$ 19,97 milhões, embora o preço médio também tenha ficado abaixo de 2025. Os vinhos brancos avançaram 29,3%, para 302.598 hectolitros, puxados sobretudo pelo branco a granel, que passou de 40.389 para 108.580 hectolitros. Os vinhos de cor recuaram 1,9%, para 1.177.839 hectolitros.
Recuperação de setembro expõe diferenças entre mercados
Setembro apresentou um resultado mensal mais forte. A Argentina exportou 230.744 hectolitros, alta de 24,2% sobre setembro de 2025, enquanto a receita cresceu 21,1%, para US$ 76,79 milhões. O vinho embalado avançou 26% em volume e o granel, 18%. O branco a granel saltou 329,4%, enquanto o vinho de cor a granel caiu 4,6%. A melhora do mês não foi suficiente para reverter a queda acumulada da receita.
O Reino Unido foi o maior comprador de setembro em volume, com 44.626 hectolitros e maior participação de vinho a granel. Os Estados Unidos lideraram em valor, com US$ 15,72 milhões, graças à maior presença de vinho embalado de preço superior. O Brasil ficou em terceiro lugar por volume, com 27.670 hectolitros, todos embalados. O Malbec somou 127.353 hectolitros, ou 68,9% das exportações mensais de varietais, e gerou US$ 44,26 milhões. Mendoza forneceu 216.495 hectolitros, equivalentes a 93,8% das exportações argentinas de setembro.