Estudo da SGH: adesão da Ucrânia à UE redesenharia a concorrência no mercado de leite polonês
A Escola de Economia de Varsóvia (SGH) ouviu 64 especialistas da Polônia, da Ucrânia e de outros países da região sobre as consequências da adesão ucraniana à UE. O cenário mais apontado foi o de ganho mútuo, com 46% das respostas, mas os especialistas poloneses indicaram com mais frequência um ganho da Ucrânia à custa da Europa Central e Oriental. Para os produtores poloneses, que já enfrentam queda nos preços pagos na captação, o que pesa são as condições da integração, não a adesão em si.
Um estudo da Escola de Economia de Varsóvia (SGH) sobre as consequências de uma eventual adesão da Ucrânia à União Europeia recoloca a questão central do setor leiteiro polonês em termos práticos: o que importa não é se a Ucrânia entra, mas em que condições sua agricultura será incorporada ao mercado único. O relatório, que avalia os efeitos sobre a segurança alimentar da Europa Central e Oriental, foi divulgado pelo veículo agrícola polonês farmer.pl.
Especialistas divididos sobre quem ganha
A pesquisa usou o método Delphi e reuniu 64 especialistas da Polônia, da Ucrânia e de outros países da região. O resultado mais indicado foi um cenário de ganho mútuo, com benefícios para os dois lados: 46% dos consultados o escolheram. Já os participantes poloneses apontaram com mais frequência a alternativa em que a Ucrânia ganha à custa dos Estados da Europa Central e Oriental.
Segundo o relatório, o aumento da oferta de produtos agrícolas competitivos pode pressionar preços e a renda dos produtores, sobretudo em regiões sem mecanismos adequados de estabilização. O estudo destaca que os mecanismos de mercado e a forma como custos e benefícios se distribuem entre países e grupos de produtores terão peso decisivo no resultado da integração.
Preços na captação já sob pressão
O debate chega a um mercado já enfraquecido. Documentos parlamentares sobre a situação do setor apontaram queda significativa nos preços do leite pagos ao produtor nos últimos meses, informa o farmer.pl. Para uma propriedade leiteira, a adesão se resume a três perguntas concretas: quanto custará produzir, quanto o laticínio pagará por litro e qual será a intensidade da concorrência pelos canais de venda.
Nessas condições, o surgimento de capacidade produtiva competitiva adicional no mercado único pode afetar toda a cadeia do leite. Isso não se converte automaticamente em preços menores para os produtores poloneses: o efeito final dependerá da mecânica da integração, e não apenas da decisão de ampliação.
Indústria defende integração gradual
Marcin Hydzik, presidente da Associação dos Processadores de Leite da Polônia, afirmou no Fórum da Comunidade Leiteira, em Białystok, que as conversas sobre a integração da Ucrânia à UE devem levar em conta os interesses de produtores e processadores de toda a região. Sua posição prevê a inclusão gradual da Ucrânia no mercado único, padrões comuns como objetivo final e regras iguais de concorrência. Ele também destacou a necessidade de mecanismos que permitam reagir a perturbações súbitas do mercado e lembrou que a Polônia discute há meses como proteger produtores e processadores dos efeitos negativos das mudanças no mercado de leite após uma eventual adesão.
Do ponto de vista de uma propriedade leiteira polonesa, tudo se resume a um teste: se o produtor ucraniano, ao entrar no mercado único, estará sujeito a exigências comparáveis de produção, qualidade e segurança dos alimentos. Se a concorrência deve ser igual, as obrigações também deveriam ser.
Um mercado maior corta dos dois lados
O potencial da agricultura ucraniana é uma das razões do interesse que a adesão desperta no setor agrícola da Europa Central e Oriental. Para o setor leiteiro polonês, porém, o relatório não trata o tema apenas como ameaça. Um mercado comum maior também significa mais espaço para vendas, investimentos e cooperação. A indústria de laticínios da Polônia depende fortemente da exportação, de modo que será decisivo saber se as empresas polonesas conseguirão aproveitar um mercado em expansão dos dois lados da futura fronteira competitiva.
As variáveis decisivas para os produtores de leite poloneses são:
- as regras de acesso à Política Agrícola Comum;
- o ritmo de adaptação das propriedades ucranianas às exigências da UE;
- os instrumentos de proteção dos setores mais expostos a um aumento rápido da concorrência;
- a distribuição de custos e benefícios entre países e grupos de produtores.
O relatório da SGH conclui que uma política agrícola da UE bem desenhada, mecanismos locais de estabilização de mercado, a cooperação ao longo da cadeia de fornecimento e a adaptação gradual da agricultura ucraniana aos padrões europeus podem limitar o risco de desestabilização. Dessas condições dependerão o nível de concorrência no mercado de leite, a posição dos laticínios poloneses e a pressão sobre os preços pagos ao produtor.