Problemas no abastecimento de arroz em Sumatra do Norte podem durar até 2027
Sumatra do Norte pode enfrentar escassez de arroz e preços mais altos até o primeiro trimestre de 2027 devido ao El Niño e ao risco de quebra de safra. A colheita principal de setembro e outubro deve aliviar o mercado, mas pode não cobrir a demanda até fevereiro e o Eid al-Fitr.
El Niño ameaça prolongar a oferta apertada
A escassez de arroz e a alta dos preços podem persistir em Sumatra do Norte até o primeiro trimestre de 2027, segundo o Media Indonesia. O pico da colheita de arroz na província está previsto para setembro e outubro, mas a oferta local resultante pode não atender às necessidades da população até fevereiro e durante o Eid al-Fitr.
Gunawan Benjamin, economista da Universidade Islâmica de Sumatra do Norte, associou o risco prolongado ao El Niño. Ele citou uma previsão da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia, a BMKG, segundo a qual o fenômeno climático pode persistir até o início de 2027. Essas condições podem causar perdas de safra e reduzir a produção de arroz no país, inclusive em Sumatra do Norte.
Mesmo que a província maximize a produção, a ameaça de escassez e de preços mais altos não será eliminada, afirmou Gunawan em 20 de agosto. A próxima colheita será importante para aliviar a pressão imediata, mas não garante estabilidade durante todo o período anterior à próxima temporada de demanda elevada.
Comércio entre províncias pode reduzir estoques locais
A distribuição regional determinará quanto da colheita permanecerá em Sumatra do Norte. Gunawan afirmou que os mecanismos de mercado e as redes comerciais dos grandes atacadistas podem direcionar arroz para outras províncias se regiões vizinhas sofrerem perdas de safra.
Esse movimento pode esvaziar os estoques da província mesmo que a produção melhore durante o pico da colheita. Para produtores e atacadistas, a escassez em outros locais representa demanda adicional. Para varejistas, empresas de alimentação e consumidores locais, os mesmos fluxos significam menor disponibilidade e pressão contínua de alta sobre os preços.
Varejistas e operadores de redes modernas da província já relatam problemas de abastecimento. O Media Indonesia informou que a situação ainda não provocou compras por pânico entre as famílias, mas várias marcas de arroz desapareceram do mercado. A falta de variedades ou marcas específicas ameaça restaurantes e outros negócios de alimentação que dependem de determinados tipos de arroz.
Nova colheita pode aliviar a pressão imediata
Gunawan espera melhora no varejo dentro de uma a duas semanas, à medida que a colheita começar em vários polos produtores. A atual interrupção pode, portanto, perder força antes do pico da safra principal em setembro e outubro.
Ele defendeu, porém, uma intervenção rápida da agência estatal de logística de alimentos Perum Bulog durante a transição. A atuação será especialmente importante se o arroz recém-colhido chegar de forma desigual aos diferentes distritos ou se os canais comerciais continuarem enviando produto para fora de Sumatra do Norte.
Os riscos imediatos e os de longo prazo são distintos. A nova colheita pode devolver produtos às prateleiras nas próximas semanas, enquanto o El Niño, as possíveis perdas agrícolas e a demanda de outras províncias podem manter o equilíbrio geral vulnerável até o início de 2027.
Dados frágeis dificultam a intervenção
Gunawan também criticou a gestão dos dados sobre a oferta de arroz pelo governo e pelas empresas de moagem. A disponibilidade local oscila consideravelmente porque depende do clima e do resultado efetivo das colheitas dos agricultores.
Na avaliação dele, o mapeamento da produção, do consumo e da distribuição de arroz entre províncias ainda não é totalmente preciso. Isso limita a capacidade das autoridades e dos participantes do mercado de prever se a colheita local cobrirá o consumo, recomporá os estoques ou será absorvida por outros mercados regionais.
Dados integrados dariam à Bulog e às autoridades regionais uma base mais sólida para programar a liberação de estoques e outras medidas. Sem uma política eficaz para reduzir os efeitos do El Niño, a segurança alimentar de Sumatra do Norte pode permanecer ameaçada até 2027, alertou Gunawan. O primeiro teste será verificar se a entrada da nova colheita restaura a oferta no varejo sem que perdas em outras regiões e a demanda das províncias vizinhas anulem esse ganho.