Zâmbia fecha acordo para fornecer 540.000 toneladas de milho branco ao Quênia
A Agência de Reservas Alimentares da Zâmbia fornecerá até 540.000 toneladas de milho branco não transgênico de grau A à queniana Baita Trading Limited. O contrato aproveita a safra recorde de mais de 5,1 milhões de toneladas e terá preços definidos pelas condições de mercado.
Zâmbia transforma safra recorde em vendas regionais
A Agência de Reservas Alimentares da Zâmbia assinou um acordo com a queniana Baita Trading Limited para exportar até 540.000 toneladas de milho branco não transgênico de grau A. O contrato dá ao Quênia acesso a uma grande oferta regional de grãos e cria para a Zâmbia um canal de venda do excedente gerado por sua maior safra de milho já registrada.
Segundo KahawaTungu e Kenyans.co.ke, a Zâmbia produziu mais de 5,1 milhões de toneladas de milho na temporada anterior. Depois de atender ao consumo interno, o país da África Austral busca mercados adicionais para o excedente. O governo espera que as exportações gerem divisas, apoiem os agricultores e contribuam para o crescimento econômico.
A FRA e a empresa queniana assinaram o acordo no Gabinete do Governo em Lusaka em 9 de setembro de 2026, informou o Kenyans.co.ke. O presidente do conselho da FRA, Suresh Desai, afirmou que o contrato demonstra confiança na qualidade dos produtos agrícolas zambianos. O diretor da Baita Trading, Martin Kinoti, disse que os embarques ajudarão a segurança alimentar regional e fortalecerão as relações econômicas bilaterais.
Cronograma de entregas e preços
As fontes divergem sobre a estrutura exata das entregas. O KahawaTungu informou que o milho seguiria ao Quênia em cinco parcelas. Já o Kenyans.co.ke indicou seis lotes: cinco carregamentos de 100.000 toneladas cada, entregues a cada três meses, e uma remessa final de 40.000 toneladas. As duas publicações apontam um volume contratado total de 540.000 toneladas.
Não foi divulgado um preço fixo. De acordo com o KahawaTungu, os valores serão definidos conforme as condições vigentes de mercado. Assim, o valor de cada lote ficará sujeito às oscilações regionais do milho ao longo do período de entrega. O cronograma escalonado também pode distribuir a demanda por transporte, armazenagem e processamento nas fronteiras.
Transportar 540.000 toneladas da Zâmbia, um país sem saída para o mar, até o Quênia será uma operação logística expressiva. O fluxo exigirá coordenação do transporte terrestre e do manuseio de grãos nos corredores regionais. Para moinhos e comerciantes, a chegada de cada lote será decisiva, pois definirá quando a oferta adicional entrará no mercado queniano e com que rapidez poderá aliviar a escassez.
Quênia amplia fornecedores regionais
O Quênia intensifica a procura por milho de países vizinhos para complementar a oferta doméstica. Segundo o Kenyans.co.ke, o governo também busca ampliar o comércio agrícola com Uganda no âmbito da Área de Livre Comércio Continental Africana. O secretário de Agricultura, Mutahi Kagwe, afirmou que Uganda poderia atender a parte da demanda queniana, mas manifestou preocupação com os níveis de aflatoxina nos grãos que atravessam a fronteira e pediu melhores controles de secagem.
O contrato zambiano exige especificamente milho não transgênico de grau A. O cumprimento dos requisitos de qualidade e segurança alimentar será, portanto, central para a execução. Testes, secagem e armazenagem confiáveis serão necessários em toda a rota, principalmente porque as entregas ocorrerão em vários lotes.
Meta de produção e escrutínio
A Zâmbia pretende elevar a produção anual de milho para 10 milhões de toneladas por meio da agenda Grow Zambia, quase o dobro das mais de 5,1 milhões de toneladas da temporada anterior. O secretário-adjunto do Gabinete para Finanças e Desenvolvimento Econômico, Siazongo Siakalenge, pediu que os comerciantes zambianos identifiquem mais compradores estrangeiros.
O acordo também levantou questionamentos no Quênia sobre o uso de um importador privado. O KahawaTungu citou um funcionário público não identificado que questionou por que a importação não estava sendo conduzida pelo Conselho Nacional de Cereais e Produtos Agrícolas e alegou ligações entre os proprietários da empresa e altos funcionários. A publicação não apresentou provas para sustentar a alegação. Preços, controle de qualidade e cumprimento do cronograma ficarão, portanto, sob atenção comercial e pública.