Zâmbia colhe recorde de 4,9 milhões de toneladas de milho e gera amplo excedente
A Zâmbia produziu um recorde de 4,9 milhões de toneladas de milho nesta temporada, alta de 28% sobre o ano passado. Com consumo anual de cerca de 2,8 milhões de toneladas, quase 2 milhões podem seguir para exportação e estoques.
Expansão do plantio e chuvas elevam a produção
A Zâmbia colheu cerca de 4,9 milhões de toneladas de milho nesta temporada, o maior volume de sua história. A Eyewitness News informou que a produção aumentou 28% em relação ao ano passado, ampliando de forma significativa a quantidade disponível depois do atendimento à demanda interna.
O economista agrícola Wandile Sihlobo atribuiu o resultado recorde à expansão da área plantada e às chuvas acima da média. A combinação permitiu à Zâmbia elevar fortemente a produção, sem que a reportagem apontasse um crescimento comparável no consumo doméstico.
A colheita cria uma reserva importante para o abastecimento alimentar do país. Segundo Sihlobo, a Zâmbia consome cerca de 2,8 milhões de toneladas de milho por ano. Assim, a produção supera o consumo anual em aproximadamente 2,1 milhões de toneladas, embora ele tenha estimado em quase 2 milhões de toneladas o excedente destinado à exportação e à próxima temporada.
Excedente abre espaço para mais exportações
O volume excedente permite à Zâmbia aumentar as vendas fora do mercado doméstico e, ao mesmo tempo, manter estoques para a temporada seguinte. A quantidade efetivamente exportável dependerá do milho reservado, da capacidade de armazenagem, da qualidade dos grãos e do calendário das vendas públicas e comerciais.
Para comerciantes e processadores da África Austral, o excedente zambiano representa uma fonte regional adicional de milho. A maior oferta nas proximidades pode encurtar rotas até mercados deficitários e reduzir a dependência de grãos transportados por distâncias maiores. A vantagem logística ainda dependerá dos procedimentos de fronteira, da capacidade do transporte terrestre e do escoamento das áreas produtoras até os compradores regionais.
Sihlobo afirmou que a safra da Zâmbia se somará aos excedentes da África do Sul, que também colheu cerca de 17 milhões de toneladas de milho. Juntas, as duas safras melhoram a disponibilidade no conjunto da África Austral e ampliam as opções de abastecimento dos compradores.
Estoques maiores criam proteção antes do El Niño
O momento é relevante porque os meteorologistas esperam um fenômeno El Niño na próxima temporada, segundo Sihlobo. Se o clima reduzir as safras seguintes ou aumentar a preocupação com a oferta, a procura pelo milho já disponível na Zâmbia e na África do Sul poderá crescer.
A safra recorde tem, portanto, dois destinos possíveis: exportação durante a atual temporada comercial e formação de estoques para a temporada seguinte. Os produtores ganham mais volume para vender, enquanto comerciantes, moinhos e importadores dos países vizinhos passam a ter acesso a uma oferta regional maior. O equilíbrio entre vendas imediatas e reservas determinará quanto do excedente zambiano de aproximadamente 2 milhões de toneladas chegará aos mercados externos e quanto permanecerá como proteção contra uma temporada menos favorável.