Vinhos do Novo Mundo avançam na Rússia enquanto vendas europeias recuam
As vendas de vinhos tranquilos do Chile, África do Sul e Argentina cresceram na Rússia no primeiro semestre de 2026, enquanto importantes categorias europeias recuaram. O vinho russo manteve a liderança e os produtores europeus conservaram relevância nos espumantes.
Fornecedores do Novo Mundo crescem em um mercado em queda
Os vinhos tranquilos do Chile, África do Sul e Argentina aumentaram suas vendas na Rússia no primeiro semestre de 2026. Esses fornecedores capturaram parte da demanda perdida pelos europeus, enquanto consumidores e distribuidores buscavam alternativas mais acessíveis. O avanço ocorreu apesar da retração geral da categoria e do custo elevado da logística a partir do hemisfério sul.
Segundo dados de participantes do mercado publicados pelo Kommersant, as vendas de vinho tranquilo chileno cresceram 20% em relação ao ano anterior, para 1,33 milhão de decalitros. A África do Sul avançou 10,2%, para 978.030 decalitros. A Argentina registrou a maior alta dos três países, de 30,8%, para 266.470 decalitros.
Categorias europeias perdem volume
A expansão do Novo Mundo contrastou com a queda de várias origens europeias consolidadas. A New Retail, citando os mesmos dados, informou redução de 21,6% nas vendas de vinhos tranquilos espanhóis e de 14,6% nos produtos portugueses. A RBC já havia relatado que Itália, Espanha, Portugal, França e Alemanha perderam participação no mercado russo de vinhos tranquilos em 2025.
A mudança não decorre apenas do interesse por novas regiões. Os vinhos de países classificados pela Rússia como hostis estão sujeitos a uma tarifa de 25% do valor aduaneiro, com cobrança mínima de 2 dólares por litro, segundo a Rossiyskaya Gazeta. Tarifas e impostos especiais mais altos elevaram os preços no varejo e abriram espaço para Chile, África do Sul e Argentina nas faixas mais acessíveis.
Vinho russo continua líder
O vinho tranquilo russo ainda respondeu pela maioria das vendas, mas também perdeu terreno. Segundo o Kommersant, sua participação caiu de 60,2% para 59,5%, enquanto o volume vendido recuou 4,9%, para cerca de 17 milhões de decalitros. Os produtores locais continuam muito maiores que qualquer fornecedor estrangeiro isolado, mas não absorveram todo o volume perdido pela Europa.
A produção também diminuiu. Dados do órgão russo de fiscalização de álcool e tabaco, citados pelo Kommersant, mostram que o país produziu 15,44 milhões de decalitros de vinho tranquilo e 6,16 milhões de decalitros de espumante entre janeiro e junho de 2026. A queda da produção e das vendas internas cria oportunidades pontuais para importadores, mas não representa crescimento do mercado total.
Espumantes seguem uma dinâmica diferente
A posição do Novo Mundo é menos forte nos espumantes. Os produtos russos detiveram 70,9% do segmento no primeiro semestre de 2026, ante 71,7% um ano antes, informou o Kommersant. As marcas europeias também preservam reconhecimento: segundo o Vedomosti, Itália, Espanha e França responderam juntas por 27% das vendas russas de espumantes entre janeiro e setembro de 2025.
O Kommersant apontou ainda crescimento relevante da demanda por espumantes da Moldávia, Sérvia e Argentina no primeiro semestre de 2026, embora a partir de uma base menor. Para os distribuidores, o mercado está se dividindo por categoria: Chile, África do Sul e Argentina ganham espaço nos vinhos tranquilos, enquanto marcas russas e europeias são mais difíceis de deslocar nos espumantes.