Vietnã busca elevar o valor do arroz diante da queda dos preços de exportação
O Vietnã exportou 5,5 milhões de toneladas de arroz nos primeiros 7 meses de 2026, mas a receita caiu junto com o preço médio. Diante do excedente global, o setor está sendo direcionado para arroz de marca, variedades aromáticas e produtos de maior valor.
Volume exportado cresce enquanto os preços recuam
O Vietnã exportou cerca de 505 mil toneladas de arroz no valor de US$ 252,8 milhões em julho de 2026, segundo o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente. Com isso, os embarques dos primeiros 7 meses chegaram a 5,5 milhões de toneladas, avaliadas em US$ 2,64 bilhões. O volume aumentou 0,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita caiu 6,7%.
O preço médio de exportação foi estimado em US$ 476,6 por tonelada, queda anual de 7,1%. Os números mostram a pressão sobre os exportadores: os embarques resistem, mas cada tonelada gera menos receita. As Filipinas responderam por 44,7% das exportações vietnamitas, seguidas pela China, com 19,1%, e por Gana, com 9,6%.
Nos primeiros 6 meses de 2026, o valor exportado para as Filipinas cresceu 2,3%, enquanto as vendas para a China dobraram e as destinadas a Gana caíram 15,2%. Entre os 15 maiores mercados, o Iraque registrou o maior avanço, com o valor aumentando 110,8 vezes. A Côte d’Ivoire apresentou a maior queda, de 55,7%.
Excedente global mantém a concorrência intensa
Os preços do arroz apresentam sinais de recuperação. A Associação de Alimentos do Vietnã, VFA, informou que o índice Oryza de arroz branco chegou a US$ 432 por tonelada na última semana de junho de 2026, alta de US$ 4 em uma semana e de US$ 15 em um mês. Ainda assim, o Đại Đoàn Kết informou que a oferta abundante deverá manter forte a concorrência entre exportadores.
O Conselho Internacional de Grãos prevê produção mundial de aproximadamente 545 milhões de toneladas na safra 2026/2027, diante de um consumo de cerca de 543 milhões. O comércio global de arroz deve atingir o recorde de 62 milhões de toneladas, enquanto os estoques podem subir para aproximadamente 199 milhões, principalmente devido à ampla oferta da Índia.
As Filipinas continuam essenciais para os exportadores vietnamitas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê que o país importará cerca de 5,2 milhões de toneladas em 2026/2027, pois a produção doméstica de aproximadamente 12,3 milhões fica bem abaixo do consumo de 17,65 milhões. O governo filipino, porém, também está estabilizando preços, ampliando as compras de arroz em casca nacional e iniciando uma investigação de salvaguarda sobre o arroz importado. Essas medidas acrescentam risco regulatório para fornecedores dependentes desse mercado.
Marcas e variedades premium ganham prioridade
O presidente da VFA, Đỗ Hà Nam, afirmou que o setor deve priorizar a abertura de mercados, o desenvolvimento de marcas e a produção sustentável. A associação defende maior diálogo com as Filipinas e a continuidade do apoio à expansão na África e em outras regiões potenciais, reduzindo a dependência de poucos compradores tradicionais.
O Vietnã produz variedades de alta qualidade, como ST25 e Jasmine, além de outros arrozes aromáticos, mas ainda não possui, segundo a VFA, uma marca nacional capaz de competir internacionalmente. A associação pede a implementação de um projeto de marca nacional baseado nas variedades premium. Também recomenda investimentos em áreas produtoras, controle de qualidade e rastreabilidade, além de vínculos mais estreitos entre agricultores, cooperativas e empresas.
Estratégia para 2030 busca menos volume e mais receita
De acordo com a estratégia vietnamita de desenvolvimento dos mercados de exportação de arroz até 2030, o volume anual deverá cair gradualmente para cerca de 4 milhões de toneladas, mantendo receitas elevadas. A composição das vendas deve avançar para arroz aromático, especial, Japonica e orgânico, além de produtos com maior nível de processamento.
Até 2030, o arroz de marca deverá representar mais de 40% do volume exportado. As variedades aromáticas, especiais e Japonica deverão responder por cerca de 45%. A estratégia também prevê ampliar o arroz orgânico e nutricional, a farinha de arroz e outros derivados processados. Para exportadores e processadores, o teste comercial será saber se os prêmios obtidos com marca, regularidade e processamento compensarão os menores volumes de arroz a granel em um mercado no qual os estoques mundiais continuam aumentando.