Importações de soja do Vietnã superam 2,2 milhões de toneladas com avanço dos EUA e Brasil
O Vietnã importou mais de 2,2 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses de 2026, alta anual de 50%, segundo dados aduaneiros preliminares divulgados pelo Soha. O Brasil continuou como maior fornecedor, enquanto o volume dos Estados Unidos cresceu 40% com a demanda de rações, aquicultura e alimentos.
Importações superam 2,2 milhões de toneladas
As importações vietnamitas de soja cresceram fortemente nos primeiros sete meses de 2026, enquanto fabricantes de ração, produtores aquícolas e processadores de alimentos mantiveram elevada demanda por matérias-primas ricas em proteína. Dados preliminares do Departamento de Alfândega do Vietnã publicados pelo Soha mostram que o país importou mais de 2,2 milhões de toneladas, no valor de mais de 1 bilhão de dólares. O volume aumentou 50% e o valor subiu 57% em relação ao mesmo período de 2025.
O ritmo acelerou em julho, quando as compras ultrapassaram 330 mil toneladas e 165 milhões de dólares. Na comparação com junho, o volume avançou 40% e o gasto, 38%. O crescimento acumulado do valor acima do volume também indica que os compradores pagaram um preço médio maior do que um ano antes no conjunto dos fornecimentos.
Brasil mantém liderança e EUA ampliam volume
O Brasil permaneceu como o maior fornecedor de soja ao Vietnã. Os embarques superaram 1,3 milhão de toneladas em sete meses, no valor de mais de 639 milhões de dólares. Houve crescimento anual de 63% no volume e de 71% no valor. O preço médio de importação ficou em cerca de 486 dólares por tonelada, alta de 4%, e o Brasil respondeu por aproximadamente 58% do valor total importado.
Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com mais de 768 mil toneladas avaliadas em mais de 368 milhões de dólares. Em relação ao mesmo período de 2025, o volume cresceu 40%, o valor avançou 48% e o preço médio subiu mais de 6%. Os números mostram que os dois principais fornecedores expandiram rapidamente suas vendas, e não que os Estados Unidos apenas substituíram o Brasil.
O Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos considera o Vietnã um mercado dinâmico e o terceiro maior comprador de soja americana no Sudeste Asiático. Em 2025, o país importou cerca de 517 milhões de dólares em soja dos Estados Unidos, aumento de 11,7% sobre o ano anterior. Memorandos e contratos de compra firmados durante uma visita do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente vietnamita aos Estados Unidos, em junho de 2025, também estimularam o comércio agrícola.
Rações e alimentos sustentam a demanda
Empresas do setor estimam que a demanda anual vietnamita por matérias-primas para rações pecuárias e aquícolas se aproxima de 30 milhões de toneladas. Milho e trigo fornecem principalmente energia, enquanto a soja é uma fonte importante de proteína. Fabricantes de óleo comestível, leite de soja, macarrão instantâneo e doces também impulsionam o consumo, ao lado das grandes indústrias de suínos e aquicultura do país.
A produção doméstica de soja continua limitada. As áreas de milho e soja diminuem à medida que agricultores migram para culturas mais rentáveis, enquanto o clima oferece pouca possibilidade de produção comercial de trigo em grande escala. Segundo a Associação Vietnamita de Rações, os insumos importados representam, por isso, uma parcela elevada dos custos de produção. O trigo depende quase totalmente do exterior, e a produção nacional de milho e soja cobre apenas parte da necessidade.
Tarifa zero melhora acesso, mas exposição permanece
O Vietnã reduziu de 1-2% para 0% a tarifa preferencial de importação aplicada ao farelo de soja americano, melhorando o acesso de outro ingrediente essencial para rações. Farelo e grão de soja são produtos distintos, mas a medida reforça a competitividade de toda a cadeia americana em um mercado dependente de proteína importada.
Essa dependência expõe os processadores vietnamitas às oscilações dos preços agrícolas globais e dos fretes. O Soha informou que as tensões no Oriente Médio desde o fim de fevereiro elevaram a preocupação com os custos logísticos, levando algumas empresas a ampliar compras e formar estoques. Analistas citados pela publicação esperam que o Vietnã continue fortemente dependente da soja importada no curto prazo devido às limitações de terras, produtividade e rentabilidade agrícola. Os preços mundiais e as condições de transporte continuarão, portanto, afetando os custos das rações e dos alimentos produzidos no país.