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Vietnã busca fornecedores locais para mercado ferroviário de 2,3 mil quadrilhões de dongs

A indústria ferroviária do Vietnã pode movimentar 2,3 mil quadrilhões de dongs até 2050 com projetos de alta velocidade e redes urbanas. Hòa Phát, THACO e Vingroup avançam sobre trilhos, material rodante e equipamentos, enquanto a transferência de tecnologia será decisiva para a nacionalização.

Vietnã busca fornecedores locais para mercado ferroviário de 2,3 mil quadrilhões de dongs

Uma oportunidade industrial de 2,3 mil quadrilhões de dongs

A modernização ferroviária do Vietnã pode criar até 2050 um mercado industrial de até 2,3 mil quadrilhões de dongs, segundo cálculos do Ministério da Indústria e Comércio citados pelo Soha. O programa inclui a ferrovia de alta velocidade Norte-Sul, linhas rápidas inter-regionais e sistemas urbanos. Os projetos abrirão demanda em siderurgia, engenharia mecânica, automação, materiais de construção, eletrônica e material rodante.

Somente a ferrovia de alta velocidade Norte-Sul tem investimento total estimado em US$ 67,34 bilhões. Um cálculo aponta um mercado de construção associado de cerca de US$ 33,5 bilhões. As obras exigirão concreto e aço, além de pontes, bueiros, túneis e outros componentes de infraestrutura, criando oportunidades para grandes grupos industriais e fornecedores especializados.

O Ministério da Construção estima que o corredor Norte-Sul precisará de 28,7 milhões de metros de trilhos, equivalentes a cerca de 4 milhões de toneladas de aço. A demanda será consideravelmente maior quando forem incluídos o aço para outras aplicações e os projetos ferroviários urbanos. A Vietnam Railways prevê 1.100 carros de unidades múltiplas elétricas para a linha de alta velocidade.

Conglomerados vietnamitas entram na fabricação ferroviária

Vários grandes grupos privados já participam de segmentos da cadeia. Vingroup e Hòa Phát desenvolvem projetos de fornecimento de trilhos, enquanto a THACO fabrica material rodante e pretende produzir locomotivas para ferrovias de alta velocidade. A entrada desses grupos pode dar ao Vietnã uma base industrial que inclua materiais, veículos e equipamentos, além da construção.

A questão central é quanto da tecnologia ficará sob controle das empresas vietnamitas. O economista Bùi Ngọc Sơn afirmou que elas podem importar matérias-primas e processar trilhos no Vietnã ou limitar sua atuação à estampagem de estruturas e instalação de equipamentos simples nos carros. Essa opção geraria lucros de fabricação sob contrato, mas deixaria locomotivas, eletrônica, comunicações e sinalização sob controle estrangeiro.

Uma nacionalização mais profunda exigiria domínio de metalurgia, materiais, motores e sistemas eletrônicos por meio de transferência tecnológica. Segundo Sơn, esse caminho depende de pessoal qualificado, capital de longo prazo, infraestrutura industrial e políticas estáveis que permitam recuperar o investimento.

Coreia do Sul oferece modelo de transferência tecnológica

Sơn defende uma estratégia nacional detalhada para a indústria ferroviária, com empresas privadas no centro. As medidas de apoio deveriam facilitar financiamento, formação profissional, acesso a terrenos e infraestrutura de pesquisa. As autoridades também precisariam estabelecer critérios transparentes de seleção de fornecedores, requisitos de produto e mecanismos de recompensa e punição.

A nacionalização ferroviária também requer coordenação entre setores. Vias de alta velocidade precisam de concreto especial e dormentes contínuos, enquanto empresas de construção, materiais, metalurgia e eletrônica devem garantir a compatibilidade de seus produtos em condições de alta velocidade. Nenhum conglomerado consegue construir sozinho todo o ecossistema de fornecedores.

Para a transferência de tecnologia, Sơn citou os acordos da Coreia do Sul com empresas alemãs. Os contratos exigiam formação de pessoal, transferência tecnológica e instalação de fábricas na Coreia do Sul; os fornecedores alemães também tinham de entregar projetos originais e código-fonte para que os parceiros locais operassem suas próprias unidades. O desafio do Vietnã é obter compromissos igualmente obrigatórios, permitindo que fábricas e trabalhadores locais disputem espaço na cadeia ferroviária global depois do programa inicial de construção.

Análise completa do mercado

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