Vietnã mira 500 milhões de dólares em exportações de tilápia até 2030 com cultivo em água salobra
As exportações vietnamitas de tilápia somaram 69 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, alta de 67% na comparação anual, segundo a VASEP. A associação projeta de 250 a 350 milhões de dólares até 2030, ou 500 milhões caso seja construída uma cadeia produtiva integrada de grande escala. O cultivo em água salobra é apresentado como o diferencial para o segmento de sushi e sashimi.
As exportações vietnamitas de tilápia atingiram 69 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, alta de 67% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação Vietnamita de Processadores e Exportadores de Pescado (VASEP). A entidade agora desenha um caminho até 500 milhões de dólares de receita anual de exportação em 2030, apoiado no cultivo em água salobra e em produtos de maior valor agregado, e não no volume.
A avaliação foi divulgada pelo veículo vietnamita CafeBiz, que observou que um peixe presente em todos os mercados internos do país já é comprado por clientes japoneses como matéria-prima para sashimi. O argumento central da VASEP é que criar tilápia em água salobra pode abrir ao Vietnã uma vantagem distinta frente a outros países no segmento de valor agregado.
Água salobra como diferencial
Em vez de competir sobretudo em volume e custo com países cuja indústria de tilápia é mais desenvolvida, a VASEP direciona o peixe de água salobra para linhas de produto mais exigentes. A associação trata o método de cultivo menos como escolha técnica e mais como base para um produto próprio e diferenciado.
Quanto às características do produto, a reportagem descreve carne firme, sabor limpo e adocicado, poucas espinhas intramusculares e ausência de odor de lodo perceptível. Esses atributos ampliam as formas de processamento e permitem ir além do peixe inteiro congelado e do filé congelado, em especial rumo à matéria-prima para sushi e sashimi.
Os especialistas citados afirmam que o caminho exige garantir alevinos adequados, elevar a eficiência no uso da ração, aplicar tecnologia e formar zonas comerciais de cultivo em larga escala. Sem isso, o prêmio de qualidade não se reproduz em escala comercial.
Exigências do padrão sashimi
O acesso a esse segmento é condicionado. Segundo a VASEP, a tilápia destinada a sushi e sashimi precisa cumprir requisitos rígidos em toda a cadeia:
- zonas de cultivo e qualidade da água
- qualidade da matéria-prima
- padrões de processamento
- congelamento
- controle de parasitas
- segurança dos alimentos e rastreabilidade
O fato de a tilápia vietnamita ter alcançado esse segmento mostra que o controle interno sobre a cadeia produtiva vem subindo passo a passo, afirmou a VASEP. Com bom controle do ambiente de cultivo e da qualidade da matéria-prima, a tilápia pode deixar de ser um produto de massa e se tornar insumo para linhas alimentares com exigências maiores de qualidade, aparência e experiência de consumo, acrescentou a associação.
Cenários de exportação até 2030
Os 69 milhões de dólares registrados nos seis primeiros meses de 2026 formam o ponto de partida das projeções. “De agora até 2030, a indústria vietnamita de tilápia pode mirar um cenário de exportação em torno de 250 a 350 milhões de dólares. Em um cenário de salto, quando se formar uma cadeia produtiva de grande escala, sincronizada do alevino e das zonas de cultivo até o processamento e os mercados, a receita pode caminhar para 500 milhões de dólares”, afirmou a VASEP.
Para isso, segundo a associação, o setor precisa migrar de um desenvolvimento disperso para produção em escala com certificação e rastreabilidade, ampliando o processamento avançado e diversificando mercados. A VASEP também alerta contra a expansão de área por modismo. Os especialistas citados defendem uma estratégia sincronizada que cubra alevinos, ração, tecnologia de cultivo, zonas de matéria-prima, processamento e mercados, com produção orientada pela demanda real e não pelo aumento de área.
Diversificação de mercados
Além dos Estados Unidos, a VASEP vê espaço para crescer na União Europeia, no Oriente Médio, no Canadá e na Austrália. A entidade argumenta ainda que a posição geográfica e a capacidade de processamento podem tornar o Vietnã, gradualmente, uma fonte relevante de oferta de tilápia dentro da própria Ásia, em vez de depender de poucos mercados tradicionais.
Com vista a 2030, a VASEP espera que o mercado global de tilápia siga abrindo oportunidades para o Vietnã. O objetivo declarado não é apenas elevar a receita, mas firmar a tilápia como um setor exportador com valor e posição próprios até o fim da década.