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Vietnã exporta 3,7 milhões de toneladas de mandioca para a China e busca produtos de maior valor

A China comprou em 2025 cerca de 3,7 milhões de toneladas de mandioca e derivados do Vietnã por 1,17 bilhão de dólares, o equivalente a 94,1% do volume exportado pelo setor. No primeiro trimestre de 2026 o Vietnã forneceu 53,83% das importações chinesas de fécula de mandioca. Hanói quer menos raspas secas e mais amido modificado, mas menos de 5% dos produtores têm contrato com as fábricas.

Vietnã exporta 3,7 milhões de toneladas de mandioca para a China e busca produtos de maior valor

A China absorveu em 2025 cerca de 3,7 milhões de toneladas de mandioca e produtos derivados do Vietnã, no valor de 1,17 bilhão de dólares, o equivalente a 94,1% do volume exportado pelo setor e a 92,6% do seu faturamento externo, informou o veículo vietnamita Dan Viet. A maior parte ainda sai do país como raspas secas ou fécula de primeira transformação. Os compradores chineses, porém, deixaram de buscar apenas matéria-prima barata e passaram a valorizar qualidade, tipos específicos por aplicação e a capacidade do fornecedor de atender às exigências produtivas de cada indústria.

Um déficit estrutural na China

A demanda chinesa por fécula de mandioca é de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas por ano, enquanto a produção interna não chega a 190 mil toneladas, segundo estudos de mercado citados pelo Dan Viet. A diferença mantém o país dependente do fornecimento do Sudeste Asiático, sobretudo do Vietnã e da Tailândia.

No primeiro trimestre de 2026 a China importou 1,4249 milhão de toneladas de fécula de mandioca. O Vietnã respondeu por 767.100 toneladas, ou 53,83% do total, mais que o dobro da fatia tailandesa de 26,42%. Essa posição dá aos processadores vietnamitas uma base incomumente sólida para subir na cadeia de valor, e não apenas defender volume.

A indústria de papel é o segundo maior destino

A produção chinesa de papel e papelão está projetada em torno de 140 a 145 milhões de toneladas para 2025, após um período de reestruturação do setor. Só o consumo de fécula de mandioca ligado à fabricação de papel supera 600 mil toneladas por ano, cerca de 17% da demanda nacional total, o que faz do papel o segundo setor consumidor depois do alimentício.

Na produção de papel, a fécula de mandioca aumenta a resistência da folha, melhora a imprimibilidade e atua como ligante no revestimento superficial e em tipos especiais, como papéis para embalagem de alimentos e papéis hospitalares. Por custo e características técnicas, vem substituindo gradualmente parte do amido de milho em aplicações industriais. A demanda também cresce em alimentos processados, bebidas, ração animal, farmacêuticos e bioenergia, setores em que a China mantém produção de grande escala e necessidades estáveis no longo prazo.

A política aponta para o amido modificado

O Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã definiu como orientação reduzir gradualmente a participação das raspas secas e da fécula não modificada nas exportações e desenvolver produtos com maior conteúdo tecnológico e de valor: amido modificado, insumos para alimentos e farmacêuticos, matérias-primas industriais e para biocombustíveis. A lógica é comercial. As raspas e a fécula padrão competem quase exclusivamente por preço, enquanto os tipos especializados oferecem margens mais largas e sofrem menos com oscilações de curto prazo.

Os gargalos estão na origem

  • Menos de 5% dos produtores de mandioca têm contrato direto com fábricas de processamento; mais de 95% da produção ainda é negociada livremente por atravessadores.
  • O país tem de 350 a 380 cooperativas com associados que cultivam mandioca, mas apenas cerca de 40 a 50 são especializadas na cultura.
  • A área média é de 0,5 a 0,6 hectare por propriedade, o que dificulta o controle de qualidade e a rastreabilidade.
  • A matéria-prima importada do Laos e do Camboja responde por cerca de 42% do abastecimento dos processadores locais, onde o registro das áreas de cultivo e a documentação das transações continuam limitados.

Os dados foram apresentados na conferência «Cadeia de suprimento da mandioca no Vietnã: situação e soluções». Ha Cong Tuan, presidente da Associação Vietnamita de Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural (VAERD), apontou baixa produtividade, produção fragmentada e cadeias de suprimento frouxas como os três maiores gargalos do setor, e alertou que, sem tratamento simultâneo, a indústria terá dificuldade em cumprir exigências de rastreabilidade e enfrentará riscos crescentes à medida que os mercados internacionais apertem padrões ambientais e legais.

Para as empresas, a questão já não é ampliar capacidade industrial, e sim garantir zonas estáveis de matéria-prima, aprofundar vínculos com agricultores e cooperativas, instalar sistemas de rastreabilidade e atender a padrões de sustentabilidade. A China seguirá sendo o maior mercado da mandioca vietnamita por muitos anos; o que muda é o tipo de fornecedor que ela remunera melhor.

Análise completa do mercado

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