Vietnã importa quase 1 milhão de toneladas de castanha de caju do Camboja
O Vietnã importou quase 1 milhão de toneladas de castanha de caju do Camboja nos primeiros sete meses de 2026, por cerca de US$ 1,7 bilhão. O fluxo sustenta a indústria processadora e exportadora, mas o avanço mais rápido dos custos pressiona as margens.
Camboja fornece mais da metade das importações
O Vietnã importou quase 1 milhão de toneladas de castanha de caju do Camboja nos primeiros sete meses de 2026, por cerca de US$ 1,7 bilhão, segundo o Kenh14. O volume e o valor cresceram 24% em relação ao ano anterior. O Camboja respondeu por 54% do volume e 56% do valor total importado, mantendo-se como o maior fornecedor vietnamita.
A proximidade geográfica reduz o tempo de transporte até os processadores do Vietnã. O país também manteve mecanismos comerciais bilaterais para determinados produtos de origem cambojana no âmbito do acordo de promoção comercial de 2025-2026. A Circular 06/2026/TT-BCT do Ministério da Indústria e Comércio, sobre cotas tarifárias de importação, entrou em vigor em 12 de fevereiro de 2026. O título da fonte afirma que as importações enquadradas nas regras entram com tarifa de 0%.
As empresas vietnamitas também compram castanha de caju bruta de países africanos como Costa do Marfim, Tanzânia e Nigéria. As importações são necessárias porque as plantações nacionais atendem apenas parte da demanda das unidades de processamento.
Compras de matéria-prima crescem mais que exportações
As exportações vietnamitas de castanha de caju geraram cerca de US$ 2,9 bilhões nos primeiros sete meses de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados constam do relatório socioeconômico de julho de 2026 do órgão de estatística citado pelo Kenh14. As importações chegaram a aproximadamente US$ 3,2 bilhões, com crescimento de 10%. O valor importado superou as receitas de exportação em cerca de US$ 300 milhões e cresceu a um ritmo próximo do triplo.
A Associação de Castanha de Caju do Vietnã, VINACAS, alertou que a diferença no meio do ano não deve ser tratada como um déficit comercial permanente. Segundo sua vice-secretária-geral, ela reflete principalmente a defasagem entre a compra da matéria-prima e a venda do produto acabado. A colheita no Camboja e em vários países africanos normalmente ocorre de fevereiro a junho, quando as empresas formam estoques para o ano. Em 2026, a safra atrasou, prolongando as compras por maio e junho.
Ciclo de processamento desloca receita para o fim do ano
A castanha bruta importada precisa passar por vaporização, retirada da casca, processamento, classificação e embalagem antes de ser exportada como amêndoa ou outro produto. Por isso, os processadores concentram grandes gastos com matéria-prima no meio do ano, antes da entrada da receita de exportação.
A VINACAS prevê fortalecimento da demanda mundial no fim do ano, principalmente durante as festas e o Natal nos Estados Unidos e na Europa. Estados Unidos, China e mercados europeus estão entre os principais destinos dos produtos vietnamitas. O aumento dos embarques feitos com a matéria-prima já comprada pode reduzir a diferença atual.
Preço da castanha bruta define as margens
Os números mostram tanto a posição do Vietnã como um dos maiores centros mundiais de processamento e exportação de amêndoas de caju quanto sua dependência de matéria-prima estrangeira. A alta das importações pode indicar fábricas ocupadas e preparação para futuros pedidos, mas maior faturamento não garante maior lucro.
Se a castanha bruta encarecer mais rapidamente que a amêndoa no mercado internacional, as margens serão comprimidas mesmo com o crescimento das exportações. A estabilidade da oferta cambojana, os preços de compra e a demanda no fim do ano determinarão o resultado dos processadores.