Exportadores do Vietna diante da EUDR: a VCCI pede reformulacao dos dados das cadeias
O regulamento europeu contra o desmatamento passa a valer para grandes e medias empresas em 30 de dezembro de 2026 e para pequenas e microempresas em 30 de junho de 2027, abrangendo mais de 80 linhas tarifarias em sete grupos de produtos. Os exportadores vietnamitas de cafe, borracha e madeira nao sao alvo direto da norma, mas detem os dados de que os importadores europeus precisam. A VCCI defende usar o prazo para rastrear a cadeia da parcela ao contentor.
Os exportadores vietnamitas de cafe, borracha e madeira tem pouco mais de tres meses antes de o regulamento da Uniao Europeia contra o desmatamento (EUDR) comecar a ser aplicado, e as entidades empresariais de Hanoi defendem usar o prazo para reconstruir os sistemas de informacao das cadeias de suprimento em vez de montar mais um conjunto de documentos de exportacao. O VnEconomy noticiou o seminario sobre a norma promovido pela Camara de Comercio e Industria do Vietna (VCCI).
A EUDR entra em vigor para grandes e medias empresas em 30 de dezembro de 2026 e alcanca pequenas e microempresas em 30 de junho de 2027. Abrange mais de 80 linhas tarifarias em sete grupos de produtos: bovinos, cacau, cafe, oleo de palma, borracha, soja e madeira, e vale para materias-primas e produtos brutos obtidos a partir de 29 de junho de 2023. A lista de mercadorias abrangidas pode ser ampliada no futuro.
Obrigacao na UE, prova no Vietna
Tran Minh Thu, do setor de OMC e Integracao do departamento juridico da VCCI, afirmou que a norma se aplica diretamente aos operadores do mercado europeu: produtores da UE, importadores que trazem mercadorias para o bloco e exportadores que as retiram dele. Tambem vincula os agentes que apenas distribuem, incluindo atacadistas e varejistas que nao produzem nem importam.
As empresas vietnamitas que vendem para a UE nao sao, portanto, alvo juridico direto, mas precisam cumprir a norma de forma indireta. Devem assegurar que a mercadoria atende aos criterios da EUDR e fornecer as informacoes e provas de que o lote nao tem ligacao com o desmatamento e foi produzido conforme a legislacao vietnamita.
Nguyen Thi Thu Trang, arbitra do Centro Internacional de Arbitragem do Vietna (VIAC), detalhou as tres obrigacoes do importador europeu: reunir todas as informacoes que comprovem ausencia de desmatamento e legalidade segundo a lei do pais de producao; realizar avaliacao de risco com base nesses dados; e, em caso de risco elevado, aplicar medidas de mitigacao ate que ele seja nulo ou insignificante antes de apresentar a declaracao de devida diligencia. O papel decisivo do fornecedor vietnamita esta dentro desse processo: sem os dados de origem, o comprador europeu nao conclui a diligencia.
O importador da UE precisa guardar os dados por cinco anos, lembrou Nguyen Thi Thu Trang. Se, nesse periodo, as autoridades fizerem verificacao posterior e encontrarem informacao inveridica, o risco e a responsabilidade juridica recaem em grande parte sobre o fornecedor vietnamita.
Tres blocos de dados a reunir
- Dados basicos da mercadoria e do fornecedor: tipo de produto, quantidade, coordenadas geograficas da area de cultivo e data de producao.
- Prova de ausencia de desmatamento: relatorios e confirmacoes das autoridades locais sobre o uso de terras agricolas e de florestas de producao.
- Prova de legalidade: situacao juridica da area de producao segundo as regras do local de producao.
Tres mudancas defendidas pela VCCI
Dau Anh Tuan, secretario-geral adjunto da VCCI e responsavel por seu departamento juridico, destacou que a EUDR nao e uma regra isolada nem uma medida passageira, mas parte do conjunto de politicas verdes da UE; por isso, o caminho correto e construir capacidades de base em vez de reagir a cada norma quando o prazo vence. Cafe, borracha, madeira e produtos de madeira estao entre as principais exportacoes vietnamitas, e a UE e ao mesmo tempo o maior mercado para eles e o mercado que define padroes seguidos por outros compradores.
A primeira mudanca vai da logica do dossie de exportacao para a logica dos dados da cadeia: rastreabilidade continua da parcela ao contentor. Uma cadeia com muitos intermediarios pode ser inteiramente legal e sem relacao com desmatamento e ainda assim nao conseguir prova-lo, caso a informacao nao seja reorganizada. A segunda vai do cumprimento individual para a cooperacao setorial, porque nenhuma empresa, por maior que seja, digitaliza sozinha centenas de milhares de familias produtoras; e preciso protagonismo das associacoes, apoio do Estado com dados fundiarios e florestais e divisao razoavel de custos entre os elos. A terceira vai da postura passiva para a ativa: a UE colocou o Vietna no grupo de paises de baixo risco, o que reduz bastante o onus da prova e a probabilidade de verificacoes, mas a classificacao do pais nao substitui as obrigacoes de cada embarque.
A VCCI alertou ainda para dois erros opostos. Um grupo considera a norma distante ou planeja redirecionar volumes para outros mercados caso a venda a UE fique dificil. O outro se prepara alem do exigido e assume custos desnecessarios por nao distinguir as obrigacoes imperativas da EUDR das exigencias adicionais de clientes ou de certificacoes voluntarias. Dau Anh Tuan afirmou que, cada vez que o mercado eleva o padrao e o Vietna decide acompanha-lo, a posicao das mercadorias vietnamitas sobe outro patamar.