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Exportações de madeira do Vietnã desaceleram para US$ 10,2 bilhões, com cavacos e pellets puxando o crescimento

O Vietnã exportou US$ 10,2 bilhões em madeira e produtos de madeira nos sete primeiros meses de 2026, alta de 5,5% na comparação anual. Os móveis de alto valor agregado caíram 6,2% sob pressão da política tarifária dos Estados Unidos, enquanto cavacos e pellets sustentaram o crescimento. Os dois segmentos consomem até 80% da madeira de plantios e geram apenas US$ 3 a 4 bilhões.

Exportações de madeira do Vietnã desaceleram para US$ 10,2 bilhões, com cavacos e pellets puxando o crescimento

O Vietnã exportou US$ 10,2 bilhões em madeira e produtos de madeira nos sete primeiros meses de 2026, alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, informou ao Mekong ASEAN Cao Xuan Thanh, chefe de gabinete da Associação Vietnamita de Madeira e Produtos Florestais (Viforest). O ritmo é modesto para o setor e a composição mudou: os móveis de processamento profundo encolhem, enquanto cavacos e pellets fornecem o avanço.

Os Estados Unidos seguiram como maior destino, com 49,7% do total, cerca de US$ 4,2 bilhões. Em seguida vêm a China, com 14,9%, e o Japão, com 12,5%.

Móveis de alto valor agregado recuam com as tarifas americanas

As exportações de móveis de madeira de alto valor agregado caíram 6,2% em valor na comparação anual ao longo dos sete meses, segundo a Viforest. Cao Xuan Thanh atribuiu a queda principalmente à volatilidade tarifária e às mudanças de política comercial nos Estados Unidos, mercado onde os produtos vietnamitas de processamento profundo têm maior peso.

Cavacos: 7,8 milhões de toneladas e preço 18,3% maior

Relatório da Forest Trends com base em dados aduaneiros mostra que o Vietnã embarcou quase 7,8 milhões de toneladas de cavacos de madeira no primeiro semestre de 2026, no valor de cerca de US$ 1,3 bilhão, alta de 9,4% em volume e de 9,9% em valor sobre o primeiro semestre de 2025.

A concorrência entre os países importadores elevou o preço médio de exportação dos cavacos vietnamitas para cerca de US$ 173,7 por tonelada no primeiro semestre, 18,3% acima do ano anterior.

  • A China absorveu 68,6% do volume total de cavacos e seguiu como principal motor de crescimento, a um preço médio de US$ 173,9 por tonelada, alta de 22,3% na comparação anual.
  • A Indonésia comprou cerca de 809.600 toneladas, ou 10,4% do total, no valor de US$ 139,5 milhões.

A Forest Trends associa a recuperação da demanda chinesa à forte concorrência na indústria de papel asiática, com vários novos projetos de celulose anunciados ou em operação. A Indonésia desponta como destino adicional à medida que novas fábricas de papel se preparam para entrar em funcionamento.

Pellets: Japão absorve três quartos do volume

As exportações de pellets chegaram a quase 3,8 milhões de toneladas, no valor de US$ 557,1 milhões, no primeiro semestre de 2026, alta de 3,3% em volume e de 1% em valor. O preço médio de exportação ficou em cerca de US$ 147,8 por tonelada, 2,3% acima da média de 2025.

O Japão respondeu por 75% do volume, ou 2,8 milhões de toneladas, no valor de US$ 431 milhões. A Forest Trends atribui essa demanda à ampliação das usinas de cocombustão de biomassa sob os mecanismos japoneses Feed-in Tariff (FIT) e Feed-in Premium (FIP). Os embarques para a União Europeia também cresceram de forma expressiva, para 249.600 toneladas e US$ 38,1 milhões, cerca de 6,6% do volume de pellets exportado pelo país.

Drenagem de matéria-prima e a meta de 2026

Os dois segmentos em expansão continuam sendo consumidores de fibra de baixo valor. Ha Cong Tuan, presidente da Associação Vietnamita de Ciência de Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural e ex-vice-ministro permanente da Agricultura, afirmou que o processamento profundo usa cerca de 20% da matéria-prima e gera US$ 14 a 15 bilhões, enquanto cavacos e pellets consomem até 80% da madeira de plantios e trazem apenas US$ 3 a 4 bilhões.

Segundo Ha Cong Tuan, a exportação de cavacos e pellets absorveu nos últimos anos a maior parte da colheita dos plantios, o que obriga os fabricantes de móveis a depender mais de madeira importada. O Vietnã tem cerca de 4 milhões de hectares de florestas plantadas de produção, mais de 1 milhão de famílias silvicultoras e milhares de empresas de processamento e exportação.

A Viforest fixou para 2026 a meta de US$ 18,5 bilhões em exportações de madeira e produtos de madeira. Somados cerca de US$ 1,2 bilhão em produtos florestais não madeireiros, o total pode alcançar US$ 19,5 a 19,7 bilhões, desde que a política tarifária dos Estados Unidos não se torne muito desfavorável.

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