Setor madeireiro do Vietnã exporta US$ 17,2 bilhões, mas segue preso à produção sob encomenda
As exportações vietnamitas de madeira e produtos de madeira cresceram mais de 57 vezes em duas décadas, para US$ 17,2 bilhões, com superávit comercial de quase US$ 12 bilhões e cerca de 1 milhão de empregos. A associação VIFOREST admite que o país continua sendo sobretudo uma base de produção, com design, marca e dados de clientes nas mãos dos compradores estrangeiros. Os Estados Unidos responderam por 49,9% do valor exportado nos oito primeiros meses de 2026.
As exportações vietnamitas de madeira e produtos de madeira cresceram mais de 57 vezes em duas décadas, de cerca de US$ 300 milhões para US$ 17,2 bilhões, mas o setor continua posicionado principalmente no elo de manufatura da cadeia global de valor do mobiliário, segundo reportagem do jornal Công Thương.
Alta de 57 vezes em vinte anos
O setor emprega cerca de 1 milhão de trabalhadores e gera superávit comercial de quase US$ 12 bilhões, informou o Công Thương. O Vietnã é o maior exportador de madeira e móveis do Sudeste Asiático e o segundo da Ásia, e construiu um ecossistema relativamente completo, da matéria-prima ao processamento, à fabricação, à logística e à exportação.
Nguyễn Quốc Khanh, presidente da Associação Vietnamita de Madeira e Produtos Florestais (VIFOREST), afirmou que o país segue sendo, antes de tudo, uma base produtiva. "Ainda somos apenas um hub de manufatura", disse. As empresas têm grande capacidade instalada e cadeias de suprimento cada vez mais bem organizadas, mas muitas permanecem no último elo da cadeia — um paradoxo relevante para um setor que exporta dezenas de bilhões de dólares.
O teto do modelo OEM
A maior parte dos fabricantes vietnamitas opera no formato OEM, produzindo conforme o design e as especificações do comprador. Segundo a VIFOREST, os modelos de maior valor não avançaram no mesmo ritmo:
- OEM — produção conforme o design do cliente, hoje o modelo dominante;
- ODM — produção combinada com design próprio;
- OBM — produção combinada com marca própria do fabricante.
A diferença está no poder de decisão, destacou Nguyễn Quốc Khanh. Uma empresa pode ter uma grande fábrica, milhares de funcionários, boa tecnologia e entregas estáveis, mas se o design do produto, a marca, os dados de clientes e as decisões de mercado continuarem com o parceiro, a parcela de valor retida é limitada. Fábricas, mão de obra e custos de produção podem ser replicados por outros países; mais difíceis de copiar são a capacidade de design, as marcas, os dados de mercado, a previsão de demanda e o relacionamento direto com os compradores.
Um mercado, metade da receita
Os Estados Unidos são o principal destino da madeira e dos produtos de madeira vietnamitas. Dados do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente citados pelo Công Thương mostram que o mercado norte-americano respondeu por 49,9% do valor total exportado nos oito primeiros meses de 2026, à frente da China, com 15%, e do Japão, com 12,4%. Em agosto de 2026, as exportações foram estimadas em US$ 1,48 bilhão, elevando o acumulado de oito meses a US$ 11,69 bilhões, alta de 5% sobre o mesmo período de 2025. Nesse total, os embarques para os Estados Unidos caíram na comparação anual, enquanto as vendas para China e Japão aumentaram.
Segundo Nguyễn Quốc Khanh, o setor ainda carece de uma estrutura suficientemente forte nos Estados Unidos para acompanhar o mercado de forma contínua, atualizar informações e devolvê-las às empresas. Ele relatou que, em uma reunião com a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), perguntou aos funcionários se já haviam estado no Vietnã e ouviu que não. A competição, argumentou, não ocorre apenas na linha de produção, mas também em salas de reunião, mesas de negociação e no diálogo regulatório.
Cadeias regionais e rastreabilidade da matéria-prima
A diversificação de mercados deve vir acompanhada de uma abordagem regional das cadeias de suprimento, em vez de cada país montar uma cadeia completa própria, defendeu o presidente da VIFOREST. Os países do Sudeste Asiático podem se complementar: a Indonésia fornecendo matéria-prima, as Filipinas assumindo parte das etapas de componentes e o Vietnã aplicando suas forças em fabricação e montagem, com os produtos seguindo depois para outros mercados e cadeias da região, que soma cerca de 750 a 800 milhões de habitantes e uma classe média em expansão.
O professor associado Nguyễn Thường Lạng, docente do Instituto de Comércio e Economia Internacional da Universidade Nacional de Economia, disse ao Công Thương que a pergunta do setor mudou. Há vinte anos era preciso provar que o Vietnã conseguia produzir artigos de madeira em escala, com qualidade estável e entrega no prazo; essa capacidade já está comprovada pelos números. Ele acrescentou que o OEM continua sendo um modelo de negócio necessário para muitas empresas, mas que, se o setor como um todo parar na produção sob encomenda, o espaço para elevar sua posição ficará limitado. Rastreabilidade da origem da madeira, florestas plantadas sustentáveis e cumprimento de exigências ambientais são, em sua avaliação, condição tanto para manter os mercados de exportação quanto para a competitividade de longo prazo.