Exportações de castanha de caju do Vietnã somam US$ 3,37 bilhões em oito meses
O Vietnã exportou 477.894 toneladas de castanha de caju nos primeiros oito meses de 2026, somando US$ 3,37 bilhões: o volume caiu 0,9% e o valor subiu 2,8%. O preço médio de exportação avançou 3,8%, para cerca de US$ 7.061 por tonelada. A China foi a maior compradora em valor, com US$ 839,5 milhões.
O Vietnã exportou 477.894 toneladas de castanha de caju nos primeiros oito meses de 2026 e obteve US$ 3,37 bilhões com esses embarques, segundo dados publicados pelo jornal vietnamita Van Hoa. Em relação ao mesmo período de 2025, o volume recuou 0,9%, enquanto o valor exportado subiu 2,8%.
A diferença entre os dois indicadores vem do preço. O preço médio de exportação chegou a cerca de US$ 7.061 por tonelada, 3,8% acima do registrado um ano antes. Cada tonelada que deixa os portos vietnamitas gera hoje mais divisas do que em 2025, e por isso a receita do setor cresceu mesmo com a queda da tonelagem. No acumulado do ano, o desempenho do setor é explicado pelo preço, não pelo volume.
O valor por tonelada supera a queda do volume
Uma alta de 3,8% no preço médio é mais do que suficiente para absorver uma redução de 0,9% no volume, e a conta deixa o setor com ganho líquido de 2,8% em valor. O Van Hoa descreve o resultado como um paradoxo: o Vietnã vende menos e arrecada mais. Para os exportadores, trata-se de uma mudança na origem da receita, que passa da tonelagem adicional para o valor gerado por tonelada. Muda também a forma de acompanhar o desempenho, já que os embarques isolados não descrevem mais a situação do setor.
O acumulado de oito meses define ainda o ritmo do ano inteiro. A receita de exportação de castanha de caju passou de US$ 3,28 bilhões em 2019 para US$ 5,22 bilhões em 2025, alta de cerca de 59% em seis anos. Os US$ 3,37 bilhões registrados até agosto de 2026 já superam todo o resultado de 2019 e equivalem a quase dois terços do total do ano passado.
China lidera a lista de compradores, seguida pelos Estados Unidos
A China foi o maior destino em valor no período, com US$ 839,5 milhões aplicados em aproximadamente 115.286 toneladas de castanha vietnamita. Isso representa cerca de um quarto de toda a receita de exportação do setor em oito meses e contrasta com a queda nacional de 0,9% no volume. O Van Hoa observa que a dimensão das compras chinesas evidencia o poder de compra daquele mercado para a amêndoa vietnamita.
- China: US$ 839,5 milhões, cerca de 115.286 toneladas
- Estados Unidos: US$ 704,5 milhões
- Países Baixos: US$ 247,4 milhões
Entre os mercados que absorvem a castanha vietnamita aparecem também Alemanha, Canadá, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, segundo o mesmo levantamento. Os três principais destinos respondem juntos por cerca de metade dos US$ 3,37 bilhões faturados, o que deixa o comércio dependente de um grupo estreito de compradores. Parte relevante da entrada neerlandesa funciona como porta de acesso para redistribuição dentro da União Europeia, e não como consumo final.
O que os números indicam para a cadeia de suprimentos
As compras chinesas implicam média em torno de US$ 7.280 por tonelada, acima da média nacional de US$ 7.061. Esse prêmio sugere que o mercado chinês absorve classificações de maior valor, e não volumes residuais baratos, distinção que importa para as processadoras ao definir quais tipos priorizar na próxima safra.
Para importadores e torrefadores da Europa e da América do Norte, a combinação de tonelagem estável com preços firmes indica custos de compra mantidos no patamar atual, sem alívio à vista. Para as processadoras vietnamitas, a amêndoa mais cara não se converte automaticamente em margem maior, porque o custo de aquisição da castanha in natura tende a seguir a mesma direção. O ganho de valor apurado até agosto é real, mas se apoia no preço e não em qualquer expansão do volume embarcado, diferença que pesará se os compradores deixarem de aceitar novos aumentos.