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Vietnã importa mais de 1 milhão de toneladas de castanha de caju bruta do Camboja sem tarifas

Nos primeiros oito meses do ano o Vietnã importou mais de 2,1 milhões de toneladas de castanha de caju bruta por mais de 3,5 bilhões de dólares, das quais o Camboja forneceu mais de 1 milhão de toneladas. O produto cambojano entra com tarifa zero ao abrigo de um acordo bilateral para 2025-2026 e cobre a lacuna de matéria-prima que sustenta a liderança vietnamita na exportação de amêndoa de caju.

Vietnã importa mais de 1 milhão de toneladas de castanha de caju bruta do Camboja sem tarifas

O Vietnã continua sendo o maior exportador mundial de amêndoa de caju, mas sua força está no beneficiamento e não no cultivo. As plantações domésticas cobrem apenas uma pequena parte do que as fábricas de descascamento e torrefação precisam, o que leva as empresas a comprar grandes volumes de castanha bruta no exterior, sobretudo no Camboja e na África, informa o cafebiz.vn. A matéria-prima importada é transformada em amêndoas e produtos derivados e depois embarcada para os Estados Unidos, a China e a Europa.

Dados preliminares do Departamento de Alfândegas citados pelo cafebiz.vn mostram que em agosto o Vietnã importou mais de 186 mil toneladas de castanha de caju por mais de 297 milhões de dólares, com queda de 27% em volume e de 26% em valor. No acumulado de oito meses, as importações superaram 2,1 milhões de toneladas e 3,5 bilhões de dólares: 2% a menos em volume, mas quase 6% a mais em valor na comparação anual.

Camboja domina o abastecimento

O Camboja é o maior fornecedor do Vietnã, com mais de 1 milhão de toneladas por mais de 1,76 bilhão de dólares, alta de 8% em volume e de 25% em valor ante o mesmo período de 2026. O preço médio de importação subiu 15%, para 1.743 dólares por tonelada.

A Costa do Marfim aparece em segundo lugar, com mais de 360 mil toneladas por mais de 601 milhões de dólares, queda de 10% em volume e de 3% em valor. O preço médio ficou em 1.671 dólares por tonelada, 9% acima do ano anterior. A Tanzânia é a terceira, com mais de 165 mil toneladas por mais de 276 milhões de dólares, alta de 23% em volume e de 13% em valor, a um preço médio de 1.671 dólares por tonelada, 8% menor.

  • Camboja: mais de 1 milhão de toneladas, mais de 1,76 bilhão de dólares, 1.743 dólares por tonelada
  • Costa do Marfim: mais de 360 mil toneladas, mais de 601 milhões de dólares, 1.671 dólares por tonelada
  • Tanzânia: mais de 165 mil toneladas, mais de 276 milhões de dólares, 1.671 dólares por tonelada

Área extensa, beneficiamento escasso

O caju é uma das culturas comerciais de maior valor do Camboja, ao lado do arroz, da borracha, da mandioca, do óleo de palma, da banana, da manga, da longana e da pimenta. Um relatório da CAC citado pelo cafebiz.vn estima a área plantada em cerca de 700 mil hectares, dos quais 580 mil hectares em produção e 120 mil hectares de plantio recente. A produção anual varia entre 800 mil e 1 milhão de toneladas de castanha bruta.

A capacidade industrial não acompanhou. O Camboja tem 52 unidades de beneficiamento de caju, das quais seis são empresas de porte médio com capacidade entre 7 mil e 140 mil toneladas por ano. As outras 46 são pequenos negócios familiares de operação sazonal. A limitada capacidade financeira, a falta de armazenagem e a escassa capacidade fabril empurram a exportação de castanha bruta para os países vizinhos, principalmente o Vietnã. Como observa o cafebiz.vn, esse arranjo restringe tanto a receita das empresas cambojanas quanto a renda dos produtores.

Tarifa zero e distância curta

A castanha bruta cambojana entra no Vietnã com tarifa de importação de 0%. Em 2026 o Vietnã segue aplicando mecanismos comerciais a uma série de mercadorias de origem cambojana no âmbito de um acordo bilateral de promoção do comércio para o período 2025-2026. A geografia reforça a vantagem tarifária: a proximidade das áreas produtoras do Camboja encurta os prazos de transporte e simplifica a logística dos processadores vietnamitas em comparação com o abastecimento na África Ocidental e Oriental.

A amêndoa de caju vietnamita já é vendida em mais de 90 países e territórios, com valor exportado em crescimento ano a ano. A previsão é de que o setor global de caju continue crescendo nos próximos anos, o que o cafebiz.vn descreve como uma oportunidade para o Vietnã manter o primeiro lugar nas exportações do produto.

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