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Vietnã é o terceiro maior exportador mundial de borracha, mas sem poder de preço

Os futuros da borracha natural na Ásia subiram nos primeiros 20 dias de setembro de 2026, mas a posição exportadora do Vietnã não se converte em poder de preço. O país responde por cerca de 14% das exportações mundiais e 9% da produção, enquanto o volume embarcado para a China caiu 30,1% em oito meses.

Vietnã é o terceiro maior exportador mundial de borracha, mas sem poder de preço

Os futuros da borracha natural nas principais bolsas asiáticas subiram nos primeiros 20 dias de setembro de 2026, sustentados pelo receio de que o mau tempo prejudique a oferta no Sudeste Asiático. O movimento tem pouca sustentação: a demanda se recupera de forma desigual e a borracha sintética segue ganhando espaço, segundo o Vnbusiness.

Nguyen Viet Tuong, ex-vice-presidente da Associação da Borracha do Vietnã (VRA), afirmou que o país ocupa a quarta posição mundial em produção de borracha natural, com cerca de 9% do total, e a terceira em exportações, com aproximadamente 14%, atrás da Tailândia e da Costa do Marfim. Para ele, o setor está preso a uma armadilha de volume: muita tonelagem e baixo valor agregado, porque a exportação continua dominada pela matéria-prima. Quando um fornecedor controla poucas etapas da cadeia, sua capacidade de negociar preço, normas e condições comerciais permanece fraca.

A desaceleração da China chega direto às plantações

O Departamento de Exportação e Importação do Ministério da Indústria e Comércio afirma que a China segue como mercado central da borracha vietnamita e que a lenta recuperação da demanda por lá já pressiona os volumes embarcados. Nos primeiros oito meses do ano, o volume enviado à China caiu 30,1% na comparação anual e o valor recuou 20,8%. Quando um mercado desse porte compra menos, a pressão chega de imediato aos exportadores e às áreas produtoras.

Os embarques para Rússia, Estados Unidos, Alemanha, Paquistão e vários outros mercados europeus também foram fracos, segundo o departamento, enquanto Índia, Malásia, Indonésia, Sri Lanka, Coreia do Sul, Taiwan e México registraram alta. O órgão lê essa divergência como espaço para ampliar a carteira de clientes e reduzir a dependência dos destinos tradicionais, embora a diversificação resolva apenas parte do problema enquanto a pauta seguir concentrada em matéria-prima.

Os pneus sustentam toda a industrialização

O Vietnã exporta cerca de 15 grupos principais de produtos de borracha, disse Tuong, e os pneus de automóvel respondem por aproximadamente 69% do conjunto. Componentes, borracha técnica, luvas, solados, mangueiras e demais itens mantêm participações pequenas. Enquanto a produção não avançar para etapas de maior conteúdo tecnológico, a vantagem em matéria-prima não vira vantagem em valor.

Os dados de preço apontam na mesma direção. O preço médio da borracha vietnamita enviada à Índia chegou a cerca de 2.168 dólares por tonelada, alta de 2,7% em um ano, num período em que os preços de várias outras grandes origens caíram. Tuong vê espaço em linhas de maior valor, como fio de borracha, látex concentrado tecnicamente especificado e artefatos industriais de borracha, em vez da venda de látex bruto, com contato direto com importadores e construção de marca própria.

Os prazos do EUDR encontram uma base produtiva fragmentada

Pelo Regulamento da União Europeia contra o desmatamento (EUDR), é preciso comprovar que a borracha não tem vínculo com desmatamento após 31 de dezembro de 2020, com dados rastreáveis até o talhão de produção. Pelo cronograma vigente, as grandes empresas devem cumprir as regras a partir de 30 de dezembro de 2026 e as menores até 30 de junho de 2027. As exigências ambientais deixam de ser obrigação de conformidade e passam a funcionar como filtro de entrada nos grandes mercados.

A carga é pesada para um setor em que cerca de 87% da área plantada é administrada por famílias com menos de 3 hectares e em que aproximadamente 90% do látex bruto passa por vários níveis de intermediários, afastando o produtor da geração de valor. A resposta proposta é reorganizar a cadeia por meio de cooperativas, padronizar processos, digitalizar os dados das áreas de cultivo, ampliar contratos de longo prazo e dividir margens, com o Estado apoiando sistemas de dados, treinamento e custos de conformidade. O departamento espera que as perspectivas continuem atreladas à demanda chinesa e à oscilação dos preços internacionais, com possível melhora conforme se recuperem a indústria automotiva, a de pneus e a de transformação. Sem mudança na estrutura de produtos, o terceiro lugar mundial em exportações seguirá entregando volume, e não peso.

Análise completa do mercado

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