Vietnã acelera expansão farmacêutica para alcançar metas de 2030
O Vietnã está ampliando os investimentos em medicamentos e matérias-primas medicinais nacionais para reduzir a dependência de fornecedores externos. Os produtos locais representam cerca de 60% do volume utilizado e 46% do valor consumido, abaixo das metas de 80% e 70% para 2030.
Produção nacional ainda está abaixo das metas de 2030
O Vietnã está acelerando em 2026 a execução de seu programa de desenvolvimento da indústria farmacêutica e de matérias-primas medicinais. O objetivo é ampliar a capacidade nacional, reforçar a segurança sanitária e reduzir a exposição a interrupções no fornecimento externo. O programa foi aprovado pela Decisão do primeiro-ministro nº 376/QĐ-TTg, de 17 de março de 2021, e estabelece metas até 2030, com uma visão de longo prazo até 2045.
Até 2030, os medicamentos fabricados no Vietnã deverão representar cerca de 80% do volume usado no país e 70% do valor de mercado. O programa também prioriza a transferência de tecnologia e a produção de medicamentos especializados, vacinas, produtos biológicos e itens que o Vietnã ainda não consegue fabricar.
Dados publicados em 2026 pelo Ministério da Saúde e divulgados pelo Sức khỏe & Đời sống estimam o mercado farmacêutico vietnamita em cerca de US$ 7 bilhões, com crescimento anual aproximado de 10-15%. O país possui 245 instalações de produção farmacêutica, incluindo 26 fábricas que atendem ao padrão EU-GMP ou equivalente. Os medicamentos nacionais respondem por cerca de 60% do volume utilizado, mas apenas 46% do valor consumido, indicando maior presença dos importados nas categorias de alto valor.
Produtos avançados e insumos concentram a principal lacuna
A diferença entre as participações em volume e valor mostra o principal desafio da indústria. O Vietnã ampliou sua capacidade de fabricação, mas ainda precisa investir em produtos de maior valor agregado, tecnologias avançadas e ingredientes farmacêuticos. A autonomia defendida pelo governo não significa fechar o mercado. O foco é dominar gradualmente áreas importantes, sobretudo medicamentos essenciais, insumos, vacinas, produtos biológicos e outras categorias de grande demanda.
O Vietnã já produz 15 tipos de vacina, dos quais 10 são usados no Programa Ampliado de Imunização. A existência de 26 fábricas com padrão EU-GMP ou equivalente também mostra que parte da indústria nacional alcançou requisitos internacionais de produção. Entretanto, o Sức khỏe & Đời sống observa que apenas construir fábricas não basta. O avanço para produtos mais complexos dependerá de pesquisa e desenvolvimento, tecnologia produtiva, testes e controle de qualidade.
O programa prevê uma cooperação mais próxima entre empresas farmacêuticas, institutos de pesquisa, universidades e centros de formação. A qualificação de profissionais em pesquisa, tecnologia de produção, testes e gestão da qualidade é outra prioridade. Essas competências serão necessárias para transformar trabalhos científicos em produtos comerciais e reduzir a distância entre a produção atual e as metas de 2030.
Plantas medicinais podem sustentar uma cadeia nacional
O Vietnã possui mais de 5.000 espécies de plantas medicinais, mas transformar esse recurso em capacidade industrial exige uma cadeia integrada que inclua conservação genética, cultivo, colheita, processamento inicial, extração, pesquisa, fabricação e controle de qualidade. O ginseng Ngọc Linh demonstra esse potencial: pesquisadores identificaram 87 compostos de saponina em diferentes partes da planta, criando uma base para medicamentos e produtos fitoterápicos de maior valor, em vez da venda concentrada em matéria-prima bruta.
Em 2026, Da Nang organizou o Festival do Ginseng Ngọc Linh e de Ervas Medicinais Internacionais, além de um seminário sobre a transformação do produto nacional em uma marca global. Especialistas destacaram que a ampliação das áreas de cultivo precisa ser acompanhada pelo controle do material de plantio, da qualidade medicinal, das tecnologias de extração e formulação e da construção da marca. A conexão dessas etapas pode aumentar o valor agregado e fornecer insumos mais regulares aos processadores nacionais.
O governo continua priorizando o fornecimento confiável de medicamentos, vacinas e equipamentos médicos em conjunto com o desenvolvimento da produção farmacêutica e de matérias-primas medicinais nacionais. As oscilações dos mercados internacionais e as interrupções logísticas mostraram os riscos da dependência excessiva de fontes estrangeiras. O avanço até 2030 dependerá não apenas da instalação de capacidade, mas também de investimentos em tecnologia, transferência de conhecimento, desenvolvimento das regiões produtoras de plantas medicinais e melhoria da qualidade.