Venda de livros em Espanha aproxima-se de 1,3 mil milhões de euros com subida de 3,9%
A venda de livros em Espanha pode ultrapassar este ano 1,3 mil milhões de euros, depois de subir 3,9% no primeiro semestre, segundo dados da GfK apresentados no Forum Edita e noticiados pelo La Vanguardia. O fundo de catálogo representa 77% dos exemplares vendidos e Portugal abrandou de 8% para 1%.
A venda de livros em Espanha pode ultrapassar este ano 1,3 mil milhões de euros, depois de crescer 3,9% nos primeiros seis meses, segundo os números apresentados pela GfK no encontro editorial Forum Edita e noticiados pelo La Vanguardia.
Crescimento sobre crescimento
Ignacio López, responsável de market intelligence da auditora GfK, afirmou na sessão dedicada ao mercado espanhol que o setor do livro impresso “continua a subir de forma ininterrupta desde a pandemia”. A tendência surpreende no estrangeiro ao ponto de se falar em milagre ibérico, uma vez que Portugal a acompanhou durante vários anos. No caso espanhol, referiu López, trata-se de crescimento sobre crescimento e não da recuperação de terreno perdido.
A parte portuguesa desta história está a enfraquecer. Portugal sobe apenas 1% este ano, depois de ter avançado 8% no ano anterior, segundo os dados da GfK citados pelo La Vanguardia. No resto da Europa, a Itália cresce 5% este ano, enquanto a Irlanda e o Reino Unido sobem 2% cada. Dentro de Espanha, a Catalunha representa 21,5% do mercado, com uma subida homóloga de 5,2% e valores recorde, papel que López descreveu como o motor editorial do país.
Quatro datas decidem o ano
A sazonalidade é fortemente concentrada. Só o Natal pode representar mais de 13% da faturação anual e, somado à black friday, os dois períodos ultrapassam 20%. López enumerou quatro picos comerciais para editoras e retalho em Espanha:
- o início do verão;
- o regresso às aulas;
- o Natal, que com a black friday ultrapassa 20% da faturação anual;
- o Sant Jordi, que se nota não só na Catalunha, mas também no País Basco, em Navarra e na Galiza.
O volume vem do fundo de catálogo
A ficção é o género mais vendido e cresce 16,1%. A banda desenhada representa 8% do mercado, com um avanço superior a 10%. Apesar da pressão comercial da novidade, esta corresponde a apenas 23% dos livros vendidos, contra 77% de obras de catálogo.
As livrarias vendem 43% dos livros em Espanha e 57% na Catalunha, e recuperaram a faturação de 2011, o ano em que esta começou a cair com a irrupção da internet, uma quebra consolidada e ampliada durante a pandemia. A venda online estabilizou desde então em cerca de 29% do total. López citou ainda um recorde de 220 minutos de ligação diária à rede e acrescentou que “mais de 15 milhões de pessoas ligam-se para procurar literatura”, o que considera uma oportunidade e não uma ameaça.
França perde leitores e a IA entra na agenda
O contraste veio de França. Renaud Lefebvre, diretor-geral do Syndicat National de l'Édition, indicou que 17% dos franceses com mais de 15 anos afirmam nunca ler, face a 12% em 2019, uma diferença equivalente a mais de três milhões de leitores perdidos. A leitura entre adolescentes caiu, enquanto o mercado de livros em segunda mão cresce com força, entre outros fatores graças à venda online. Lefebvre apontou também a produção crescente de conteúdos gerados artificialmente como novo desafio para o setor.
O consultor editorial alemão Rüdiger Wischenbart destacou no fórum o maior peso do autor, com mais capacidade de participar em todas as fases graças ao avanço da autoedição, ainda que os grandes grupos editoriais mantenham boa parte do mercado, e defendeu que a digitalização e a inteligência artificial “irão muito mais longe e transformarão o mercado”. A mesa-redonda sobre direitos de autor juntou o diretor-geral da CEDRO, Jorge Corrales, o responsável de Assuntos Públicos para a Europa da RELX, Richard Mollet, e a diretora executiva da Kopinor, Hege Munch Gundersen, que apresentou o modelo norueguês de acordos de licenciamento entre titulares de direitos e instituições que desenvolvem projetos de IA. O Forum Edita, organizado pelo Gremi d'Editors de Catalunya, termina na quarta-feira com o balanço de Sergio Vila-Sanjuán, codiretor com Patrici Tixis e Javier Aparicio.
Análise completa do mercado