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Vendas de carros novos na Rússia caem 16,2% em uma única semana

O mercado russo de carros novos perdeu 16,2% na semana de 6 a 12 de julho, com 25.900 unidades emplacadas. O analista Serguei Tselikov classificou o dado como um mau sinal, apontando o fim do efeito de emplacamento e os problemas de combustível. Veículos comerciais leves e caminhões também recuaram.

Vendas de carros novos na Rússia caem 16,2% em uma única semana

Emplacamentos semanais voltam a um patamar fraco

O mercado russo de automóveis novos de passageiros encolheu 16,2% em relação à semana anterior na 26ª semana do ano, de 6 a 12 de julho, segundo dados divulgados pelo analista Serguei Tselikov em seu canal no Telegram e reportados pelo lenta.ru. No período foram emplacados apenas 25.900 carros novos.

Tselikov apresentou a queda como o fim de um pico passageiro, e não como uma nova tendência. «Depois de duas semanas de 'vendas altas', o mercado automotivo voltou aos números médios habituais do ano. E esses não nos agradaram muito no primeiro semestre», escreveu. Apesar da queda semanal, os emplacamentos permaneceram 7,1% acima da mesma semana do ano anterior, mantendo o mercado em crescimento na comparação anual, ainda que com menos fôlego.

Comerciais recuam junto com os automóveis

O segmento comercial mostrou um padrão semelhante. As vendas de veículos comerciais leves (VCL) caíram 10% ante a semana anterior, para 1.338 unidades, enquanto as de caminhões recuaram 15,6%, para 1.010 unidades. Frente ao mesmo período de 2025, as categorias divergiram: as entregas de VCL caíram 19,2% na base anual, ao passo que os volumes de caminhões recuaram de forma mais moderada, 6,6%.

A queda paralela em automóveis e comerciais aponta para uma pressão de demanda que não se limita aos compradores particulares. Para operadores de frota, empresas de logística e concessionárias, o tombo dos VCL é o alerta mais claro, dada a sua queda de dois dígitos frente ao ano anterior.

Duas causas: uma temporária e outra duradoura

Tselikov apontou duas causas principais para a desaceleração. A primeira é estatística e de curto prazo: o efeito do emplacamento de veículos vendidos no fim do segundo trimestre já se esgotou. A segunda é mais estrutural. «Os problemas com combustível não estimulam a compra de carros novos», disse, alertando que esse fator «pode atuar por muito tempo e influenciar de forma significativa a demanda no segundo semestre».

Ele pediu cautela para não interpretar demais os dados de uma única semana. «É cedo demais para tirar conclusões de uma semana do ano, vamos acompanhar como a situação evolui», escreveu o analista. A distinção importa para a perspectiva: o efeito de emplacamento vai se dissipar sozinho, mas as tensões no fornecimento de combustível podem pressionar as vendas por meses.

O preço agrava a pressão

A sensibilidade ao preço agrava a fraqueza da demanda. Em comentário à parte sobre a marca nacional Moskvich, Anton Shaparin, vice-presidente da União Nacional do Automóvel, atribuiu as baixas vendas dos crossovers Moskvich M90 e Moskvich M70 ao preço, afirmando que os modelos são caros demais para os compradores russos, conforme o lenta.ru.

Para importadores e exportadores que acompanham o mercado russo, a semana traz uma leitura mista. Os emplacamentos seguem acima do nível do ano passado, o que sustenta a ideia de que os volumes de base não desabaram. Mas a combinação de efeitos pontuais que se esgotam, preocupações com o fornecimento de combustível e limites de preço nos modelos nacionais sugere que o segundo semestre de 2026 pode trazer uma demanda mais fraca do que indica apenas a comparação com o primeiro semestre. Segundo Tselikov, a trajetória da disponibilidade de combustível é a variável a acompanhar.

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