Vendas de café em grão crescem mais de 30% na França, Itália e Alemanha
Dados da Nielsen citados pelo La Repubblica mostram forte crescimento do valor das vendas de café em grão em três grandes mercados europeus. O avanço foi de 35% na França, 33% na Itália e 31,2% na Alemanha.
Café em grão ganha espaço nos grandes mercados europeus
O valor das vendas de café em grão cresceu mais de 30% na França, Itália e Alemanha, segundo dados da Nielsen citados pelo jornal italiano La Repubblica. O avanço chegou a 35% na França, 33% na Itália e 31,2% na Alemanha. Os números abrangem três mercados de café consolidados da Europa e indicam uma retomada da procura pelo formato menos processado disponível no varejo.
O crescimento chama a atenção porque as cápsulas conquistaram uma posição relevante na categoria europeia. Conveniência, porções padronizadas e compatibilidade com máquinas domésticas mudaram a forma de preparar café em casa. Os novos dados sugerem que uma parcela crescente do mercado voltou a aceitar a moagem antes do preparo ou passou a utilizar máquinas automáticas que moem os grãos.
Crescimento abre oportunidades em toda a cadeia
Para torrefadores e marcas, um crescimento de 31,2% a 35% no valor das vendas justifica maior atenção às linhas de grãos, aos tamanhos das embalagens e ao posicionamento. A categoria permite diferenciar produtos por origem, torra e composição do blend. Se a tendência continuar, os varejistas também poderão precisar rever o espaço destinado a grãos, café moído e produtos em dose única.
A mudança também pode afetar fornecedores de equipamentos. A maior procura por grãos favorece as vendas de moedores e máquinas automáticas, ao mesmo tempo que pode alterar a economia dos sistemas baseados em cápsulas proprietárias. No entanto, os dados da Nielsen disponíveis para esta reportagem não incluem o volume ou o valor das vendas de cápsulas. Eles comprovam o rápido crescimento do café em grão, mas não quantificam, isoladamente, uma eventual queda das cápsulas.
França lidera, seguida de perto por Itália e Alemanha
A França registrou o maior avanço entre os três mercados, com crescimento de 35% no valor das vendas. A Itália veio em seguida, com 33%, apesar da cultura consolidada do espresso e da ampla disponibilidade de outros métodos de preparo. A Alemanha registrou 31,2%. A diferença relativamente pequena entre os países indica que o movimento não está restrito a uma única tradição nacional de consumo.
Para produtores, exportadores e importadores, o efeito imediato está na mudança do mix de produtos, não em um aumento confirmado do consumo total de café. Uma parcela maior dos gastos destinada aos grãos pode influenciar a procura por determinadas origens, perfis de torra e padrões de qualidade, embora os números disponíveis não tragam uma divisão por país fornecedor ou variedade. Marcas e varejistas precisarão de dados de volume para separar o aumento das quantidades, a premiumização e as mudanças de preço. Mesmo com essa limitação, um crescimento superior a 30% na França, Itália e Alemanha transforma o café em grão em um segmento que os participantes do mercado europeu já não podem tratar como secundário.