UE retira pele de zibelina russa das sanções após pressão de Itália e Grécia
A UE revogou a proibição, introduzida em abril de 2026, das importações de peles de zibelina russa. Segundo a Euractiv, Itália e Grécia pediram a isenção porque a Rússia domina o mercado mundial e os fabricantes europeus quase não têm fornecedores alternativos.
UE revoga proibição de abril
A União Europeia retirou as importações de peles de zibelina russa das suas listas de sanções, revogando uma proibição introduzida em abril de 2026. A Euractiv informou que a isenção foi concedida a pedido de Itália e Grécia, os principais compradores desta pele dentro da UE.
A decisão cria uma exceção limitada no regime de sanções, e não uma reabertura geral do comércio de peles com a Rússia. As restrições em vigor já reduziram as exportações europeias de artigos de pele acabados para o mercado russo, enquanto a nova alteração diz respeito ao acesso dos fabricantes da UE às peles russas.
A revogação tem relevância comercial para um segmento especializado da indústria do luxo. A Euractiv descreve a zibelina como a pele mais cara do mundo, utilizada por casas de moda europeias em artigos que podem custar dezenas ou centenas de milhares de euros. Os volumes não foram divulgados, mas o elevado valor unitário torna mesmo um fluxo limitado importante para transformadores e fabricantes de bens de luxo.
Poucas alternativas para os fabricantes europeus
A Comissão Europeia explicou que a decisão reflete a posição dominante da Rússia no mercado mundial de zibelina. Segundo a explicação da Comissão citada pela Euractiv, a restrição de abril deixou os fabricantes europeus praticamente sem fornecedores alternativos.
A zibelina russa tem sido historicamente valorizada pelas casas de moda europeias. A sua exclusão da base de abastecimento criou, por isso, uma restrição que não podia ser resolvida rapidamente através da mudança de origem. A isenção restabelece o acesso à fonte tradicional para empresas italianas, gregas e de outros países da UE que processam peles ou as utilizam em produtos de luxo acabados.
A alteração também evidencia os limites práticos das sanções em mercados cuja produção está concentrada num só país. Para os compradores, uma proibição pode significar a perda de um material específico, e não apenas um preço mais alto por um produto equivalente de outra origem. Para os fornecedores russos, a decisão preserva uma via de acesso ao mercado europeu para peles de zibelina, embora outras áreas do comércio bilateral de peles permaneçam limitadas.
Itália e Grécia conseguem a isenção
Itália e Grécia têm uma exposição particular à decisão porque a Euractiv as identifica como os principais compradores desta pele na UE. A intervenção também reflete a pressão da indústria europeia de peles, que enfrenta dificuldades e há muito se opõe a medidas mais duras depois de as sanções terem limitado as suas vendas de produtos acabados à Rússia.
A Euractiv enquadrou a isenção para a zibelina nas negociações sobre o 21.º pacote de sanções da UE. Segundo a publicação, Itália teve um papel relevante no abrandamento do pacote ao opor-se a restrições mais apertadas sobre vistos. A Grécia, entretanto, obteve uma exceção para os fornecimentos de gás natural liquefeito russo.
Para a indústria de peles, o resultado imediato é a recuperação do acesso às peles de zibelina russas sem uma normalização paralela do comércio de produtos acabados. Transformadores e casas de moda europeus recuperam uma matéria-prima escassa, mas as restrições às exportações destinadas a clientes russos continuam a afetar um canal de vendas importante. A isenção resolve um problema de abastecimento para os fabricantes da UE, mas não elimina a pressão comercial mais ampla sobre o setor.