Ucrânia planeja produzir 300 mil toneladas de sal por ano em Odesa
Uma unidade projetada no estuário de Kuialnyk poderá produzir cerca de 300 mil toneladas de sal por ano e substituir grande parte das importações ucranianas. O projeto de US$ 30 milhões ainda depende de decisões estatais, avaliação ambiental e autorização especial para uso da água.
Projeto de Kuialnyk prevê 300 mil toneladas por ano
A Ucrânia avalia retomar a extração industrial de sal no estuário de Kuialnyk, na região de Odesa, por meio de uma empresa com produção estimada em cerca de 300 mil toneladas anuais. Segundo a Novyny.LIVE, o projeto busca reduzir a dependência das importações após a perda do acesso à jazida de Soledar e à capacidade produtiva da Artemsil.
A Kuialnytski Soliani Promysly LLC foi criada em 2026 para desenvolver o empreendimento. A empresa pretende retirar o excesso de sal do estuário e processá-lo como produto alimentício. Quando atingir a capacidade projetada, a produção anual equivalerá a aproximadamente três quartos do volume importado pela Ucrânia em 2025. A companhia também considera retomar as exportações em uma etapa posterior.
O investimento previsto é de cerca de US$ 30 milhões. Os planos incluem um parque industrial na comunidade de Usatove e uma fábrica de processamento de sal. O projeto poderá criar empregos e ampliar a arrecadação tributária local, embora a escala final e as condições operacionais ainda não tenham sido definidas.
Importações substituíram a oferta doméstica perdida
Antes da guerra em grande escala, a Artemsil atendia cerca de 90% do mercado ucraniano e possuía capacidade anual superior a 7 milhões de toneladas. Em 2021, a Ucrânia exportou mais de 710 mil toneladas de sal e importou 142,8 mil toneladas. A perda do acesso à jazida de Soledar inverteu essa posição e tornou o mercado interno muito mais dependente de fornecedores estrangeiros.
As importações triplicaram em 2022 frente ao ano anterior e chegaram perto de 750 mil toneladas em 2024, informou a Novyny.LIVE. Em 2025, a Ucrânia importou 415 mil toneladas, avaliadas em cerca de US$ 49,6 milhões. O Egito forneceu mais da metade do total, enquanto Turquia e Romênia também embarcaram volumes relevantes. Em plena capacidade, Kuialnyk poderá substituir uma parcela expressiva das compras recentes, sobretudo no segmento de sal alimentício.
Função ambiental aumenta as exigências regulatórias
A extração comercial de sal em Kuialnyk remonta ao século XVI. A proposta atual também trata a produção como forma de controlar a salinidade excessiva. Água do mar é adicionada ao estuário desde 2014. Cientistas da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia estimam que esse processo tenha levado entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas adicionais de sal ao local. A mineralização da salmoura alcança 350 partes por mil ou mais, criando riscos para o ecossistema e para as lamas terapêuticas.
Os cientistas calculam que a retirada controlada em uma área de 100–200 hectares poderá compensar quase totalmente a entrada anual de sal. O estuário, porém, está dentro de um parque natural nacional, é classificado como corpo hídrico terapêutico e fica junto a uma estância de importância nacional. O projeto exige decisões do Estado sobre o regime de uso, avaliação de impacto ambiental e autorização especial para uso da água. A aprovação do parque não é suficiente, e o governo ainda não definiu uma abordagem unificada.
Produção regional poderá recuperar a autossuficiência
Kuialnyk não é o único local avaliado para reconstruir a produção ucraniana de sal. Na Transcarpátia, a jazida de Tereblia também está em análise e poderá fornecer sal industrial. Especialistas citados pela Novyny.LIVE estimam que operações estáveis dos produtores nacionais poderão levar a Ucrânia à autossuficiência em três a cinco anos. Nesse cenário, várias empresas regionais abasteceriam o mercado, em vez de uma nova dependência de um único produtor dominante.