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Ucrânia esgota contingente da UE sem tarifas para concentrado de maçã e pode desviar carga pela Moldávia

A Ucrânia utilizou integralmente o contingente anual de 30.000 toneladas de concentrado de maçã exportado para a UE sem tarifas e, segundo o sad24.pl, os dados da Comissão Europeia mostram saldo de 0 quilogramas. Até o fim do ano os embarques pagam a tarifa base de 18% ou mais, o que elimina o desconto de 200 a 300 euros por tonelada em relação ao produto polonês. O acesso moldavo, sem tarifas e sem limite de volume, abre uma rota de desvio evidente.

Ucrânia esgota contingente da UE sem tarifas para concentrado de maçã e pode desviar carga pela Moldávia

A Ucrânia esgotou por completo o contingente anual de exportação de concentrado de maçã sem tarifas para a União Europeia e, no restante do ano, os embarques pagarão a tarifa base do bloco. O portal pomícola polonês sad24.pl informou que uma associação empresarial ucraniana anunciou o esgotamento em meados de setembro e que os dados de contingentes tarifários da Comissão Europeia confirmam o quadro: a coluna do saldo mostra 0 quilogramas diante de um teto de 30.000 toneladas.

A partir desse momento, cada lote de concentrado ucraniano que entra em um Estado-membro da UE está sujeito à tarifa base de 18% ou mais. Segundo o sad24.pl, o concentrado ucraniano era negociado de 200 a 300 euros por tonelada abaixo do produto polonês. A tarifa fecha essa diferença e leva o preço de entrada a um nível comparável ao polonês, de modo que a mercadoria vinda do Leste perde a vantagem de custo para os processadores da UE.

O momento coincide com o pico das importações

A mudança chega no ponto mais sensível do calendário de processamento. O sad24.pl observa que outubro e novembro são os meses em que os processadores poloneses importam os maiores volumes de concentrado da Ucrânia e de fornecedores de fora da UE em geral. Em teoria, a tarifa deveria deslocar a demanda para a matéria-prima nacional e sustentar os preços da maçã industrial na Polônia: boa notícia para os produtores e ruim para os processadores que montaram as compras de outono em torno do concentrado importado mais barato.

O sad24.pl alerta, porém, que o efeito não é automático. O mercado de maçã industrial depende de um conjunto muito mais amplo de fatores globais e, na avaliação do portal, a conjuntura do concentrado não gira 180 graus apenas porque uma origem perdeu o tratamento preferencial.

A Moldávia como rota alternativa

O principal motivo de cautela é a Moldávia. Graças a acordos sucessivos com Bruxelas, o país pode exportar para a UE sucos e preparações de frutas, incluindo concentrado de maçã, sem tarifas e sem limite de volume. O sad24.pl argumenta que um salto abrupto das importações de concentrado moldavo a partir de outubro significaria, na prática, o retorno de volumes ucranianos ao mercado único com nova documentação.

A logística reforça essa opção. De acordo com o sad24.pl, os portos ucranianos estão completamente bloqueados desde julho por causa dos ataques da frota russa, o que deixa ao concentrado dois caminhos praticáveis rumo ao oeste: por terra, via Polônia, com pagamento da tarifa, ou via Moldávia, misturado ao concentrado moldavo, sem tarifa, mas com a margem de um intermediário. Embarcar pelo porto romeno de Constanța também exige pagar a tarifa, exceto quando a carga segue em trânsito para destinos fora da UE.

O pico de preços de 2024 não volta

O cenário de demanda também mudou. O sad24.pl lembra que o fator por trás dos preços muito atrativos da maçã industrial no outono de 2024 - escassez severa e preços recordes do concentrado de laranja, que empurraram compradores para o concentrado de maçã e elevaram a demanda pela fruta industrial polonesa - já é história. As cotações do concentrado de laranja voltaram à média plurianual anterior ao período de recordes, o que elimina o efeito de substituição que sustentava os preços do concentrado de maçã.

Para o setor, as perguntas práticas são estreitas. O contingente esgotado é anual, portanto a tarifa se aplica ao concentrado ucraniano apenas até o fim do ano. Até lá, os processadores poloneses pagarão mais pela matéria-prima importada, comprarão mais maçã industrial nacional ou se abastecerão via Moldávia. As estatísticas mensais de importação da UE de concentrado moldavo a partir de outubro mostrarão qual opção prevalece e quanto da proteção tarifária chega de fato aos produtores poloneses.

Análise completa do mercado

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