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Algodão turco abre a safra com colheita do Egeu quase pela metade e fiações paradas

A colheita de algodão da região do Egeu deve cair perto de 50% nesta safra, para 80 mil a 85 mil toneladas, ante 140 mil toneladas no ano passado, informou o tekreferans.com. Os dados da Bolsa de Comércio de Şanlıurfa de 11 de setembro de 2026 mostram o algodão prensado nacional entre 83 e 85 liras por classe de cor, enquanto o importado foi negociado a 97,97 liras. Cerca de 60% das grandes fiações de quatro polos têxteis suspenderam a produção.

Algodão turco abre a safra com colheita do Egeu quase pela metade e fiações paradas

O setor algodoeiro turco abre a nova safra com uma colheita muito menor na região do Egeu, capacidade de fiação parada e preços bastante distintos conforme a classe, segundo o tekreferans.com e os dados divulgados pela Bolsa de Comércio de Şanlıurfa.

Colheita do Egeu deve cair quase à metade

A colheita de algodão do Egeu foi anunciada inicialmente em 160 mil toneladas na safra passada e depois revisada para 140 mil toneladas. Nesta safra, a expectativa é de queda próxima de 50%, para 80 mil a 85 mil toneladas, informou o tekreferans.com — abaixo da marca de 100 mil toneladas que a região vinha sustentando.

O algodão do Egeu já rivalizou com o algodão egípcio pelo comprimento da fibra e é considerado equivalente ao cultivado na região de Memphis, nos Estados Unidos. Segundo o tekreferans.com, a qualidade começou a cair depois de 2008, quando foi permitido o plantio de outras variedades de semente sob o então ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Mehdi Eker; variedades próprias da região, como Nazilli 84 e Nazilli 87, degeneraram ao longo do tempo e trouxeram problemas de qualidade. O recuo se acelerou nos últimos quatro a cinco anos, impulsionado pela alta dos custos de produção, pelas oscilações das economias turca e mundial e pela perda de capacidade na indústria têxtil.

Şanlıurfa define os preços de abertura

Em Şanlıurfa, transformada em centro de produção do “ouro branco” pela ampliação das áreas irrigadas do Projeto da Anatólia Sudeste (GAP), os produtores acompanham de perto a bolsa de comércio com o início da colheita. Os dados de 11 de setembro de 2026 colocaram o algodão prensado entre 83 liras e 97 liras, conforme a qualidade e a classe de cor: o prensado de cor 51 foi negociado a 83 liras, o de cor 41 a 84 liras e o de cor 31 a 85 liras. O prensado branco da classe Padrão 1 foi registrado em uma faixa de 54,75 liras a 95,50 liras.

O número mais alto da lista coube ao algodão prensado importado, a 97,97 liras, acima de todas as classes nacionais cotadas naquele dia. O tekreferans.com aponta que, no mercado interno, o algodão é negociado entre 90 e 94 liras, enquanto nos mercados dos Estados Unidos o preço chegou a subir para 2,15 dólares por libra-peso.

Fiações paradas e compradores se afastando

Preços internos relativamente vantajosos não geraram o movimento que o setor esperava. A queda da utilização da capacidade em têxteis, vestuário pronto e confecção se transmite diretamente à demanda por algodão: cerca de 60% das grandes fiações de Gaziantep, Kayseri, Kahramanmaraş e Denizli suspenderam a produção, informou o tekreferans.com. A contaminação — matéria estranha na fibra — agrava o quadro ao elevar as taxas de perda e os custos, a ponto de os industriais têxteis começarem a se afastar do algodão nacional.

Bülent Uçak, vice-presidente do conselho da Bolsa de Comércio de İzmir, afirmou que a curva de preços desta safra será definida pela demanda, com as cotações do algodão nos Estados Unidos e no Brasil servindo de indicador importante para a Turquia e com as compras dos industriais de confecção e têxteis que preferem o algodão turco sendo decisivas. Segundo ele, os produtores não estão satisfeitos com a cultura e a tendência de abandono se acelera, enquanto a contaminação soma custos. O algodão, lembrou Uçak, foi no passado uma importante “cultura de equilíbrio” para o agricultor — atributo que hoje mudou em grande medida.

Rotações mudam e importações se aproximam

A retração da área de algodão está redesenhando o padrão de culturas da região. Na planície de Söke, o milho se espalhou no lugar do algodão, e em algumas áreas o girassol começou a substituir o trigo. Na Trácia, centro tradicional da produção de girassol, a área plantada encolhe à medida que os produtores migram para a canola, enquanto o Egeu caminha para se tornar um novo polo de girassol.

Faruk Aydın, presidente da União do Algodão Tariş, disse que a alta dos custos dos insumos colocou a cotonicultura sob forte pressão e que é preciso construir uma estrutura de produção sustentável. Os problemas de qualidade do algodão do Egeu mudaram a preferência dos industriais têxteis, afirmou, apontando a necessidade de produzir algodão com as características que a indústria realmente exige e de trabalhos de testes e melhoramento de sementes organizados pelo Estado. “O algodão deve ser reconhecido como produto estratégico”, disse Aydın. Ele estimou a demanda anual da Turquia em cerca de 1,5 milhão de toneladas e alertou que, com a produção interna em queda, importações de cerca de 1 milhão de toneladas podem entrar na pauta.

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