Tradings brasileiras reorganizam cadeia da soja para cumprir a EUDR
As tradings brasileiras de grãos reorganizaram compras e logística para atender ao regulamento europeu contra o desmatamento, informou a Globo Rural, citando a Abiove. As empresas ainda temem diferenças na fiscalização entre as autoridades nacionais europeias.
Tradings separam cadeias de fornecimento
As tradings brasileiras de grãos reorganizaram rotas de abastecimento e operações logísticas na preparação para o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento, informou a Globo Rural, citando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, Abiove. As mudanças atingem a soja, produto do setor de grãos abrangido pela norma, e buscam preservar o acesso aos compradores europeus quando as exigências passarem a valer.
O desafio operacional vai além da verificação de um fornecedor. As tradings reúnem produção de fazendas e armazéns antes de movimentar os carregamentos por terminais e portos. Por isso, precisam manter a ligação entre a mercadoria e sua origem mesmo ao trabalhar com grandes volumes intercambiáveis. A reorganização pode direcionar soja compatível para armazéns, corredores de transporte e canais de exportação selecionados, sem mistura com outras origens.
Rastreabilidade vira requisito comercial
A EUDR abrange gado bovino, cacau, café, palma de óleo, borracha, soja e madeira, além de determinados produtos derivados. O operador que coloca mercadorias cobertas no mercado da UE deve demonstrar que elas não estão ligadas ao desmatamento e foram produzidas de acordo com a legislação do país de origem. Dados de procedência e provas de legalidade passam, portanto, a integrar a documentação comercial de um embarque de soja.
O regulamento entrou em vigor em junho de 2023. Após alterações aprovadas em dezembro de 2025, as principais obrigações passam a ser aplicadas em 30 de dezembro de 2026, segundo a Comissão Europeia, enquanto a maioria dos micro e pequenos operadores tem prazo até 30 de junho de 2027. A apresentação da declaração de diligência cabe agora principalmente ao primeiro operador que coloca um produto relevante no mercado da UE ou o exporta. Empresas e comerciantes a jusante normalmente coletam e guardam informações sobre parceiros comerciais e, quando aplicável, números de referência.
Fiscalização ainda gera incerteza
As empresas brasileiras continuam preocupadas com a postura que será adotada pelas autoridades de cada país europeu, segundo a Globo Rural. Os órgãos nacionais competentes realizam verificações e trabalham com as alfândegas. Assim, documentos e dados de geolocalização podem receber avaliações diferentes dentro da UE, apesar da existência de uma norma comum.
Para as tradings, a resposta é operacional e jurídica. Compras segregadas, armazenagem controlada e transporte documentado protegem cargas destinadas à UE, mas reduzem a flexibilidade para redistribuir soja entre clientes e destinos. Produtores capazes de fornecer soja verificada podem obter acesso mais estável aos canais europeus. A reorganização relatada pela Abiove mostra que a EUDR já influencia decisões de compra e logística antes das datas de aplicação.