Telix comprará a ITM em negócio de radiofármacos de até US$ 2,35 bilhões
A Telix Pharmaceuticals concordou em adquirir 100% da ITM Isotope Technologies Munich, integrando desenvolvimento e comercialização de medicamentos à produção de radioisótopos em grande escala. O negócio inclui US$ 1,65 bilhão inicial e até US$ 700 milhões vinculados a metas do ITM-11.
Telix avança para a produção de isótopos
A australiana Telix Pharmaceuticals assinou um acordo para adquirir 100% da ITM Isotope Technologies Munich. A transação combina uma empresa de radiofármacos em estágio comercial com uma grande produtora de radioisótopos terapêuticos. A Telix anunciou o negócio em 21 de setembro de 2026 e o apresentou como a formação de uma operação verticalmente integrada, cobrindo produção de isótopos, desenvolvimento de medicamentos, fabricação e comercialização.
O acordo avalia inicialmente a ITM em US$ 1,65 bilhão, sem considerar caixa e dívida. Segundo a Telix, os vendedores deverão receber aproximadamente US$ 1,25 bilhão em ações da companhia, ao preço de US$ 11,84 por ação. Os papéis serão entregues como recibos de depósito americanos listados na Nasdaq após os períodos de retenção aplicáveis. A Telix também assumirá US$ 302 milhões em dívida líquida da ITM, enquanto US$ 96 milhões correspondem à reinversão acionária da administração e a despesas da transação pagas pelos vendedores, sujeitas a ajustes no fechamento.
Um pagamento adicional de até US$ 700 milhões dependerá de aprovações regulatórias e metas de vendas comerciais do ITM-11. Com isso, o valor máximo anunciado da transação chega a US$ 2,35 bilhões. O El Economista informou que o negócio pode alcançar € 2 bilhões. A aquisição ainda depende da aprovação dos acionistas da Telix e de outras condições habituais de fechamento.
Segurança de fornecimento entra no portfólio
Fundada em 2004, a ITM opera uma rede de fabricação e distribuição de radioisótopos que alcança mais de 65 países. De acordo com a Telix, a empresa alemã registrou receita de US$ 273 milhões em 2025, após apresentar uma taxa composta de crescimento anual de 40% entre 2021 e 2025. A Telix também descreveu a produção comercial de isótopos da ITM como lucrativa.
O principal ativo estratégico é a posição da ITM no lutécio-177, isótopo usado em terapias direcionadas com radionuclídeos. A Telix identifica a ITM como a única produtora de lutécio-177 de grau comercial em escala global e como uma fornecedora importante para radiofármacos comercializados e em desenvolvimento. A ITM também tem capacidade de produzir actínio-225 e térbio-161, dando à companhia combinada acesso a vários isótopos empregados ou avaliados em tratamentos oncológicos de precisão.
As empresas já mantêm uma relação de fornecimento. Em 2021, a Telix assinou com a ITM um acordo global não exclusivo para receber lutécio-177 de alta pureza e sem carreador adicionado, destinado a programas experimentais de câncer de próstata e rim e a um possível abastecimento comercial. O controle integral transformará uma fornecedora externa em plataforma interna de fabricação. A Telix também herdará as relações da ITM com outros desenvolvedores de radiofármacos.
Ativo avançado amplia a linha terapêutica
A aquisição acrescenta o ITM-11, ou edotreotida com lutécio-177, ao portfólio de desenvolvimento da Telix. O candidato é destinado a tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos e concluiu a fase 3. A parcela contingente do preço vincula uma parte relevante da avaliação do ativo aos futuros resultados regulatórios e comerciais.
A Telix estima que a organização combinada terá mais de US$ 1,3 bilhão em receita e resultado pro forma não auditados em 2026, com base nos cálculos da administração. A transação unirá a capacidade de isótopos e a infraestrutura de distribuição da ITM à plataforma comercial de medicina de precisão e ao portfólio terapêutico da Telix.
Para a indústria de medicina nuclear, o negócio coloca uma parcela maior da cadeia de valor sob um único controlador. A produção de isótopos exige instalações especializadas, controles rigorosos de qualidade e distribuição precisa porque os materiais radioativos têm vida útil limitada. Integrar essas capacidades aos ativos clínicos pode dar à Telix maior previsibilidade de abastecimento, mas também eleva a concentração em torno de uma fornecedora presente em mais de 65 países. Reguladores, desenvolvedores concorrentes e hospitais acompanharão como a Telix conciliará sua demanda interna com os compromissos existentes da ITM perante clientes externos.