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Modelo aquícola tecnológico reforça a produção de salmão da Noruega

A indústria norueguesa do salmão integra controlo em incubadoras, vacinação, fazendas oceânicas e processamento automatizado. Os investimentos da Silver Seed e da Nordlaks mostram como investigação e engenharia sustentam o abastecimento da Europa e de outros mercados.

Modelo aquícola tecnológico reforça a produção de salmão da Noruega

Tecnologia em todo o ciclo de produção

A posição de liderança da Noruega na aquicultura mundial assenta nas condições naturais, na experiência pesqueira e no investimento contínuo em investigação e tecnologia produtiva. Tore Holvik, diretor em Espanha do Conselho Norueguês dos Produtos do Mar, disse ao ABC que o setor se tem concentrado no bem-estar dos peixes, na sustentabilidade, na digitalização, na monitorização das fazendas e em métodos capazes de produzir mais com menos recursos. Para os compradores, os resultados pretendidos são qualidade uniforme ao longo do ano, maior segurança alimentar, rastreabilidade completa e melhoria contínua dos padrões de sustentabilidade.

O salmão norueguês demora normalmente entre dois e três anos a atingir o peso comercial habitual de 4-5 quilogramas. O controlo começa na incubadora. A Silver Seed AS, localizada nas ilhas Lofoten, está autorizada a produzir quatro milhões de smolts por ano. Os ovos permanecem numa incubadora até à eclosão, enquanto a temperatura da água é rigorosamente controlada e não pode ultrapassar 8°C na fase inicial.

A Silver Seed inaugurou as atuais instalações em 2020, após um investimento de 40 milhões de euros. A unidade emprega 11 pessoas, incluindo três biólogos, e possui quatro departamentos pelos quais os peixes passam durante o crescimento. A alimentação e a temperatura são monitorizadas continuamente. Os juvenis são transferidos por tubos entre tanques quando atingem os tamanhos definidos e vacinados ainda pequenos. A tecnologia permite vacinar 22.000 alevinos por hora. Segundo o ABC, a vacinação contribui para que 99% do salmão norueguês não receba antibióticos.

Capacidade oceânica e bem-estar dos peixes

A Nordlaks investiu um total acumulado de 400 milhões de euros em tecnologia, fazendas oceânicas e plataformas de aquicultura em mar aberto. A sua instalação Jostein Albert, oficialmente denominada Havfarm 1, é uma fazenda flutuante de 385 metros concebida para águas norueguesas expostas. Seis redes de 47 por 47 metros proporcionam capacidade para produzir até 10.000 toneladas de salmão. O projeto recebeu a primeira geração de peixes em 2020 e já chegou à sexta.

Os salmões entram na fazenda com cerca de 2 quilogramas, permanecem menos de um ano e normalmente atingem ou ultrapassam 5 quilogramas. A alimentação e a monitorização são geridas a partir do centro de operações da Nordlaks em Børøya, no município de Hadsel. A estrutura está presa por 11 âncoras de 22 toneladas cada e por uma corrente de 90 toneladas. O sistema de amarração permite que rode de acordo com o vento, as ondas e as correntes.

A Nordlaks também está a desenvolver o Storbatsegga, um tanque oceânico semifechado com paredes de aço que descem 20 metros abaixo da superfície. O projeto pretende proteger os salmões dos piolhos-do-mar e melhorar o seu bem-estar. A regulamentação norueguesa limita ainda a densidade: os peixes não podem ocupar mais de 2,5% do volume total do tanque, ficando os restantes 97,5% destinados à água corrente. As perdas ao longo do ciclo do salmão de aquicultura são estimadas em 7-8%, enquanto apenas 7-8% dos salmões selvagens sobrevivem.

A automatização liga as fazendas aos mercados

A tecnologia continua presente depois da despesca. A Nordlaks opera uma unidade altamente automatizada de processamento de salmão do Atlântico, que recebe cerca de 7.000 toneladas de matéria-prima por ano. As máquinas removem as cabeças e as espinhas dorsais e dividem o peixe em dois filetes. Em seguida, um robô efetua cortes de precisão e prepara porções de acordo com o peso e as especificações do cliente, ajudando a maximizar o valor obtido de cada peixe.

A Nordlaks produziu perto de 60.000 toneladas de salmão em 2025. A empresa tem 839 trabalhadores, uma frota de 60 embarcações e destina 60% da produção ao mercado europeu. Também informa que 88% das suas instalações estão eletrificadas. Espanha está entre os mercados de salmão mais importantes e dinâmicos da Europa, com consumo em pratos tradicionais, sushi, sashimi e poke. O sistema integrado de incubação, cultivo e processamento permite aos fornecedores noruegueses controlar a qualidade e as especificações desde o ovo até ao produto final e abastecer durante todo o ano grandes cadeias alimentares e compradores internacionais.

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