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Tarifas da UE levam concorrência chinesa a híbridos e produção europeia

As tarifas compensatórias da UE encareceram a importação de veículos elétricos fabricados na China, mas as marcas chinesas continuam ampliando sua participação na Itália com mais modelos e motorizações. A transferência da produção e da montagem para a Europa também reduz a capacidade das tarifas de conter a concorrência.

Tarifas da UE levam concorrência chinesa a híbridos e produção europeia

As tarifas atingem a origem produtiva, não a propriedade da marca

As tarifas compensatórias da União Europeia sobre veículos elétricos a bateria produzidos na China entraram em vigor em 30 de outubro de 2024. Bruxelas adotou a medida por cinco anos após considerar que subsídios governamentais chineses e outros apoios estatais criavam concorrência desleal. As alíquotas citadas pela Gazzetta vão de 17% para a BYD e 18,8% para a Geely a 35,3% para a SAIC e empresas que não cooperaram com a investigação.

A medida encareceu a importação de elétricos chineses, mas não interrompeu a expansão de seus fabricantes na Europa. Seu alcance está limitado aos veículos elétricos a bateria produzidos na China. As empresas podem competir com híbridos, híbridos plug-in e modelos a combustão ou mudar o local de fabricação.

A política europeia também segue em evolução. A Gazzetta informa que Bruxelas retirou as tarifas de um SUV elétrico espanhol fabricado na unidade da Volkswagen Anhui em Hefei, avaliou cobranças adicionais sobre híbridos plug-in e iniciou a revisão da norma de 2035. Uma das opções discutidas fixaria em 90% a redução das emissões de CO2 no escapamento, permitindo a continuidade de alguns modelos novos a gasolina e diesel.

Marcas chinesas crescem mais rápido que o segmento elétrico italiano

Em 2024, antes das tarifas, as marcas chinesas detinham bem menos de 10% do mercado italiano. Segundo dados da associação automotiva UNRAE citados pela Gazzetta, a participação se aproximou de 15% no primeiro semestre de 2026 e ficou em 13,7% em agosto. Apesar das deficiências na infraestrutura de recarga, os elétricos a bateria passaram de cerca de 5% para 8,1% do mercado nos primeiros sete meses de 2026.

As duas tendências medem fenômenos distintos, afirmou à Gazzetta Tommaso Carboni, diretor para a Itália da empresa de software automotivo bee2link group Italia. As tarifas afetam elétricos fabricados na China, enquanto as montadoras chinesas ampliam modelos, motorizações e presença comercial. Seu crescimento, portanto, vai muito além do ainda pequeno segmento italiano de veículos elétricos.

A BYD registrou 33.973 veículos na Itália nos primeiros sete meses de 2026, ante 11.528 no mesmo período de 2025. A Omoda & Jaecoo elevou os registros em 269%, de 6.691 para 24.692. A Leapmotor passou de menos de 2.000 para mais de 25.000 veículos, enquanto o T03 superou 20.000 vendas nos primeiros oito meses. A MG registrou mais de 34.000 automóveis, avanço de 5,49% sobre 2025, incluindo mais de 19.000 unidades do ZS.

A produção avança para dentro da barreira tarifária

O preço continua relevante, mas Carboni também destaca as cadeias integradas de suprimento, a rapidez no desenvolvimento de produtos, os sistemas avançados de assistência ao motorista e os recursos digitais. As fabricantes chinesas competem nos híbridos, que representaram 49,5% dos registros italianos, e nos híbridos plug-in, com 9,2%, além dos elétricos. O foco em crossovers, SUVs compactos e modelos dos segmentos B e C também as posiciona em categorias de ampla demanda europeia.

A estratégia industrial muda em paralelo. A BYD abriu uma fábrica em Szeged, na Hungria, e avalia França e Espanha para um segundo centro europeu após o fracasso das negociações com a Turquia. A Geely deverá começar a produzir veículos na fábrica da Ford em Valência em 2028. A Chery está recuperando a marca Ebro em Barcelona, enquanto a Stellantis pretende abrir sua unidade francesa de Rennes à parceira chinesa Dongfeng.

Esses investimentos mostram que as tarifas podem alterar o abastecimento e a localização produtiva sem necessariamente reduzir a pressão competitiva. As montadoras europeias enfrentam ao mesmo tempo margens menores e tarifas dos Estados Unidos. Carboni citou a estimativa da Volkswagen de um custo de 2,9 bilhões de euros com a alta das tarifas americanas em 2025, a redução de cerca de 1,5 ponto percentual que a BMW calculou para a margem EBIT da divisão automotiva e a queda do retorno ajustado sobre vendas da Mercedes-Benz Cars de 8,1% em 2024 para 5,0% em 2025. As tarifas europeias podem estimular o investimento local, mas não eliminam a disputa por preço, tecnologia, distribuição e pós-venda.

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