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Tarifa dos EUA pressiona exportadores sul-africanos de citrinos

Limões, tangerinas e toranjas da África do Sul estão agora sujeitos a uma tarifa norte-americana de 12,5 %, enquanto as laranjas continuam isentas. A Associação de Produtores de Citrinos calcula que a medida acrescenta efetivamente 2,5 pontos percentuais à carga tarifária no pico da época de exportação.

Tarifa dos EUA pressiona exportadores sul-africanos de citrinos

Tarifa da Secção 301 entra em vigor

Os exportadores sul-africanos de limões, tangerinas e toranjas enfrentam custos mais altos para abastecer os Estados Unidos depois de Washington impor uma tarifa de 12,5 % a determinados produtos do país. As laranjas continuam excluídas da medida, segundo Boitshoko Ntshabele, diretor executivo da Associação de Produtores de Citrinos da África do Sul.

Ntshabele afirmou que a administração Trump introduziu as tarifas da Secção 301 contra 60 países em 24 de julho de 2026. A decisão sucedeu a quatro meses de investigações conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. As medidas foram apresentadas como resposta a questões comerciais relacionadas com países onde se pratica trabalho forçado. Vários países receberam uma taxa de 10 %, enquanto a África do Sul e outros ficaram sujeitos a 12,5 %.

De acordo com a interpretação das regras pela associação, estão isentas as mercadorias carregadas em navios antes de 24 de julho e chegadas aos Estados Unidos antes de 28 de julho. A exceção limita a exposição imediata das cargas que já estavam em trânsito, mas não protege os embarques posteriores da época de exportação.

Custo aumenta no pico da época

A tarifa aplica-se quando a época sul-africana de exportação de citrinos atinge o pico. Ntshabele descreveu a alteração como um acréscimo efetivo de 2,5 pontos percentuais à tarifa sobre tangerinas, limões e toranjas enviados para os Estados Unidos. Trata-se de mais um custo para produtores e exportadores que já executam os seus programas sazonais de produção, embalagem e transporte.

O impacto direto está concentrado geograficamente. Atualmente, apenas produtores das províncias sul-africanas do Cabo Ocidental e do Cabo Setentrional têm acesso ao mercado norte-americano. As empresas dessas regiões terão de decidir quanto da tarifa adicional pode ser absorvido pela cadeia de abastecimento e quanto será transferido para os preços de venda nos Estados Unidos.

O efeito competitivo poderá ser moderado porque os concorrentes da África do Sul no mercado norte-americano de citrinos também enfrentam uma tarifa de 12,5 %, afirmou Ntshabele. A taxa equivalente reduz o risco de uma desvantagem tarifária imediata perante esses fornecedores. Contudo, não elimina o maior custo da fruta colocada nos Estados Unidos nem a pressão daí resultante sobre as margens e a procura.

Setor procura acordo comercial

A Associação de Produtores de Citrinos contactou o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul e pediu a aceleração das negociações com as autoridades norte-americanas. Segundo Ntshabele, um acordo comercial bilateral poderia reduzir a taxa aplicada à África do Sul de 12,5 % para 10 %, embora ainda não exista confirmação de um acordo ou de uma redução.

A associação também se reuniu com Roelf Meyer, recentemente nomeado embaixador da África do Sul nos Estados Unidos. O setor considera que uma possível normalização das relações bilaterais poderá criar condições para avanços nas tarifas e num acesso mais amplo ao mercado. Ntshabele citou ainda a experiência anterior do vice-ministro Steenhuisen no Departamento de Agricultura, em questões técnicas de acesso a mercados, como potencial apoio para resolver barreiras que afetam os citrinos.

Ntshabele prevê que as tarifas permaneçam em vigor pelo menos até ao fim da atual administração norte-americana, salvo uma decisão judicial que lhes ponha termo. Comparou a sua provável duração com as anteriores tarifas do “Dia da Libertação”, que, segundo afirmou, foram consideradas incompatíveis com a legislação em fevereiro de 2026. As empresas sul-africanas devem, por isso, trabalhar com o pressuposto de que a taxa de 12,5 % continuará enquanto decorrerem as negociações governamentais.

O diferendo também reforça o interesse do setor em ampliar o acesso aos mercados. A associação vê uma oportunidade para estender o acesso aos Estados Unidos para além do Cabo Ocidental e do Cabo Setentrional e para abrir outros destinos importantes. Até existir alívio tarifário ou uma abertura geográfica, os exportadores das três categorias afetadas terão de incorporar a nova tarifa nos seus programas sazonais, enquanto as laranjas mantêm a isenção.

Análise completa do mercado

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