Suspensão das exportações à Colômbia derruba demanda por coco de Paria
Barreiras fitossanitárias mantêm paralisadas as exportações venezuelanas de coco descascado para a Colômbia, destino habitual de 80% da produção nacional. Produtores de Paria relatam queda da demanda e dos preços, aumento do desemprego e pressão adicional causada por estradas ruins, falta de combustível e mão de obra cara.
Barreiras fitossanitárias fecham o principal canal de venda
Produtores de coco da península venezuelana de Paria alertaram que as barreiras fitossanitárias mantêm paralisadas as exportações de coco descascado para a Colômbia. A interrupção fechou o principal mercado de uma cultura relevante para a economia rural de Paria, no estado de Sucre, e seus efeitos já alcançam as propriedades, o processamento e o emprego.
Segundo o El Tiempo, a Venezuela normalmente exporta para a Colômbia 80% de sua produção de coco. Com esse canal suspenso, produtores e comerciantes relatam uma queda acentuada da demanda, o colapso dos preços da fruta e o aumento do desemprego no setor. Não foram divulgados dados sobre o volume afetado, a redução dos preços ou o número de empregos perdidos.
A concentração das vendas em um único destino ampliou o impacto sobre as propriedades. A colheita pode continuar, mas não há indicação de que o mercado doméstico tenha demanda suficiente para substituir a Colômbia. A perecibilidade da produção e a capacidade limitada de processamento também dificultam o armazenamento ou o rápido direcionamento do coco para outros produtos.
Problemas nas propriedades agravam o choque comercial
Os alertas foram feitos durante um encontro na sede da Associação Cooperativa de Produtores de Coco e Palma de Paria, no município de Mariño. O evento, dedicado à comercialização, às barreiras fitossanitárias e à rentabilidade, reuniu produtores, comerciantes, pequenos processadores, representantes empresariais e integrantes da União Nacional Camponesa Ezequiel Zamora.
As principais apresentações ficaram a cargo dos engenheiros agrônomos José Carmelo Pomenta, produtor e comerciante, e Beltrán Caraballo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas. De acordo com o El Tiempo, o debate abordou a evolução do cultivo em Paria, mas se concentrou nas atuais deficiências fitossanitárias, na assistência técnica e no acesso ao crédito.
Os participantes também apontaram insegurança nas plantações, deterioração das estradas rurais, dificuldade de obter combustível, além da escassez e do alto custo de trabalhadores especializados, como escaladores de coqueiros e descascadores. Esses obstáculos encarecem a colheita, a preparação e o transporte mesmo quando há compradores. Com o mercado colombiano fechado e os preços ao produtor pressionados, sobra menos receita para cobrir os custos operacionais e manter as plantações.
Produtores pedem emergência e mesa técnica
A assembleia aprovou cinco acordos para buscar uma resposta imediata. Os produtores solicitaram a declaração de emergência e o tratamento da crise como questão de Estado, por considerarem o coco um produto estratégico nacional. Também pediram um relatório técnico detalhado com os problemas e as demandas do setor para entrega às autoridades fitossanitárias, legislativas e governamentais.
O grupo propôs fortalecer a organização que reúne produtores, trabalhadores, indústrias e exportadores, além de instalar uma mesa técnica. Uma nova reunião foi marcada para sexta-feira, 25 de setembro, para avaliar as tarefas e planejar as próximas medidas. A retomada das vendas à Colômbia depende primeiro da solução dos obstáculos fitossanitários. No longo prazo, o setor também precisará de maior demanda interna, alternativas de processamento e apoio à produção. Enquanto permanecer fechado um mercado que absorve 80% da produção, a cadeia do coco de Paria continuará exposta a novas quedas de preços e à paralisação de propriedades.