Sudão e FAO assinam marco de 616 milhões de dólares para reconstruir agricultura atingida pela guerra
O Ministério da Agricultura e Irrigação do Sudão assinou com a FAO da ONU um marco de programação por país para 2026-2028 a fim de mobilizar mais de 616 milhões de dólares para o setor agrícola danificado pela guerra. O plano foca irrigação, sementes resistentes à seca, cadeias de valor e pequenos produtores. A agricultura responde por 44% da produção e suas principais culturas de exportação incluem goma-arábica e gergelim.
Sudão assina com a FAO marco agrícola de 616 milhões de dólares
O Ministério da Agricultura e Irrigação do Sudão assinou com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) um marco programático para mobilizar mais de 616 milhões de dólares em investimento e assistência agrícola, anunciou o ministério em Cartum, segundo o Sudan Tribune. O marco de programação por país abrange o período 2026-2028 e busca apoiar a recuperação de um setor agrícola devastado pela guerra.
O acordo foi alcançado horas depois de o governo anunciar a criação de uma carteira de financiamento bancário de 3 trilhões de libras sudanesas para apoiar a temporada agrícola. Essa temporada enfrenta múltiplos obstáculos, incluindo falta de financiamento, escassez de sementes melhoradas e fertilizantes e a alta dos preços do combustível e dos custos de produção, informou o ministério.
O que o marco financia
Segundo o comunicado do ministério, o marco foi desenhado para apoiar a recuperação e a reconstrução por meio de assistência urgente às famílias produtoras e da proteção dos ativos agrícolas e pecuários contra maior deterioração. Ele também respalda:
- o desenvolvimento de projetos de irrigação e a melhoria dos sistemas de produção vegetal e animal;
- o fornecimento de insumos básicos, incluindo sementes melhoradas resistentes à seca;
- o apoio às cadeias de valor para que os produtos cheguem aos mercados locais e regionais;
- o apoio direto a pequenos agricultores e produtores, com empregos voltados a jovens e mulheres.
O marco foi assinado pelo ministro da Agricultura, Esmat Gurashi, e pelo representante residente da FAO no Sudão, Hongjie Yang, na presença do representante regional da organização para o Oriente Próximo e o Norte da África, Abdul Hakim Elwaer. Elwaer disse ter visitado os estados de Gezira e Sennar para avaliar as necessidades do setor.
As culturas em jogo para o comércio
A agricultura é um pilar da economia sudanesa. Somando lavouras e pecuária, o setor responde por cerca de 44% da produção nacional, enquanto mais de 60% da população depende do sorgo e do milheto como alimentos básicos e cerca de 65% dos sudaneses trabalham em atividades agrícolas.
A agricultura tradicional cobre cerca de 20 milhões de feddans, concentrados no oeste e no sul e em partes do centro do país. Essas áreas produzem aproximadamente 90% do milheto, 48% do amendoim, 28% do gergelim e 11% do sorgo do país, além da totalidade da goma-arábica sudanesa, produtos centrais tanto para o abastecimento interno quanto para a exportação. O marco pretende apoiar as cadeias de valor que levam esses produtos aos mercados locais e regionais; segundo autoridades, uma colheita sudanesa mais forte também ajudaria a segurança alimentar dos países vizinhos.
Uma ampla lacuna de financiamento
As autoridades articularam a parceria em torno de prioridades nacionais: segurança alimentar, maior produção e produtividade, resiliência das comunidades rurais e gestão sustentável dos recursos naturais. O representante residente da FAO afirmou que o programa se concentra em fortalecer a resiliência e contribuir para a paz e a estabilidade por meio da segurança alimentar.
A meta de 616 milhões de dólares se contrapõe a um déficit mais amplo. Em março, a FAO afirmou precisar de 230 milhões de dólares para executar um plano de emergência e resiliência que se estende até 2028 em apoio a 12,4 milhões de sudaneses. O novo marco mobiliza investimento em vez de desembolsá-lo diretamente, de modo que o ritmo da recuperação depende da rapidez com que o financiamento, as sementes e outros insumos de fato cheguem aos agricultores.