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Soja segura R$ 162 a R$ 163 nos portos mesmo com a queda de Chicago

Os futuros de soja fecharam em baixa em Chicago na quarta-feira, 23 de setembro, com o novembro/26 a US$ 13,18 por bushel. No Brasil, o dólar acima de R$ 5,17 e prêmios de 155 a 160 pontos sobre Chicago mantiveram os preços nos portos em R$ 162 a R$ 163 para outubro. O produtor segurou novas vendas.

Soja segura R$ 162 a R$ 163 nos portos mesmo com a queda de Chicago

Os futuros de soja em Chicago fecharam em baixa na quarta-feira, 23 de setembro, mas o movimento não se repetiu no mercado físico brasileiro. Segundo o Notícias Agrícolas, a forte valorização do dólar frente ao real, prêmios mais firmes e a demanda presente nos portos sustentaram as cotações domésticas praticamente nos níveis da sessão anterior.

O novembro/26 encerrou o pregão em Chicago a US$ 13,18 por bushel, com perda de 7,50 pontos. O janeiro/27 também caiu 7,50 pontos, para US$ 13,33¾. O março/27 recuou 6,25 pontos, a US$ 13,42½, e o maio/27 perdeu 5,25 pontos, fechando a US$ 13,50.

Fechamentos em Chicago

  • Novembro/26: US$ 13,18 por bushel, queda de 7,50 pontos
  • Janeiro/27: US$ 13,33¾ por bushel, queda de 7,50 pontos
  • Março/27: US$ 13,42½ por bushel, queda de 6,25 pontos
  • Maio/27: US$ 13,50 por bushel, queda de 5,25 pontos

Câmbio e prêmios absorvem a perda externa

No Brasil, o câmbio caminhou na direção contrária. O dólar avançou mais de 1% frente ao real e chegou a superar os R$ 5,17 durante a sessão, neutralizando boa parte da pressão externa sobre a formação dos preços domésticos.

Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, disse ao Notícias Agrícolas que os preços nos portos brasileiros permaneceram praticamente nos mesmos níveis do dia anterior. «O mercado agora de porto está de R$ 162, R$ 163 em outubro. Está igual a ontem, mesmo com Chicago em queda», afirma.

Brandalizze destacou ainda a melhora dos prêmios, na faixa de 155 a 160 pontos sobre os valores praticados em Chicago, indicando que a demanda pela soja brasileira continua ativa nos portos. O nível de balcão e o mercado de lotes internos seguem, segundo o consultor, muito perto do melhor momento do ano. A demanda nos portos é um dos principais fatores de sustentação das cotações domésticas.

Produtor freia novas vendas

O Canal Rural informou que o mercado físico teve poucas movimentações na quarta-feira, com o produtor segurando novas vendas e buscando ofertas melhores. O resultado foi um comportamento desigual dos preços, com movimentos distintos entre regiões em vez de uma direção única.

Colheita nos EUA e a questão chinesa

Em Chicago, o cenário é diferente. A colheita norte-americana ganha velocidade e as produtividades observadas até agora nas principais regiões produtoras permanecem dentro das expectativas. Brandalizze explica que, enquanto áreas prejudicadas pelo clima registram rendimentos menores, regiões importantes de Iowa, Illinois e Indiana vêm apresentando produtividades melhores, reforçando o tradicional efeito safra sobre as cotações. «Colheita americana adiantada e produtividade vindo dentro da expectativa estão trazendo o efeito safra», diz. Sem um novo fator de demanda capaz de contrabalançar a entrada da safra, a tendência sazonal é de maior pressão sobre Chicago à medida que os trabalhos avançam.

O mercado chegou à semana alimentando expectativas de novas compras chinesas de soja americana antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Até quarta-feira, porém, segundo Brandalizze, essas vendas esperadas não haviam aparecido, retirando parte do fôlego das cotações. Em paralelo, Bessent afirmou que os Estados Unidos estão abertos a prorrogar a trégua comercial com a China ou a fechar um acordo maior.

O encontro de quinta-feira passa a ser o principal ponto de atenção para Chicago. Na avaliação do consultor, uma novidade relevante ligada à demanda chinesa poderia devolver algum fôlego aos futuros; sem isso, a entrada da safra norte-americana tende a pesar mais sobre os preços. Ele lembrou que Chicago vinha trabalhando nos melhores patamares em quase quatro anos, com os principais vencimentos acima dos US$ 13 por bushel, abrindo oportunidades de comercialização e de proteção.

Por isso, avalia Brandalizze, o produtor não deveria condicionar suas decisões apenas ao resultado do encontro entre Trump e Xi, ao clima ou a outros acontecimentos externos, mas aproveitar os níveis atuais para estruturar estratégias diante da possibilidade de novas correções. Chicago caiu na quarta-feira, mas o mercado nacional continua oferecendo boas oportunidades de comercialização.

Análise completa do mercado

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