Soja na CBOT recua de máximas de vários meses com realização de lucros
Os futuros de soja na CBOT caíram em 21 de julho, com operadores realizando lucros após a alta para máximas de vários meses. Uma avaliação das lavouras dos Estados Unidos acima do esperado aumentou a pressão, enquanto trigo e milho avançaram.
Alta da soja perde força
Os futuros de soja na Bolsa de Chicago fecharam em queda na terça-feira, 21 de julho, com investidores realizando lucros depois que os preços atingiram o maior nível em vários meses na sessão anterior. Segundo a InfoQuest, a alta de segunda-feira havia sido sustentada pela demanda forte e por uma nova escalada do conflito no Oriente Médio.
Um analista da Consus Ag Consulting atribuiu a queda de terça-feira à realização de lucros após aquele avanço expressivo. O recuo mostra que os operadores não estavam dispostos a ampliar imediatamente suas posições compradas depois das máximas de vários meses, sobretudo porque os dados mais recentes sobre as lavouras dos Estados Unidos não trouxeram novo suporte climático.
Condição da soja nos EUA melhora
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos classificou 66% da lavoura de soja do país como boa ou excelente. O índice subiu 1 ponto percentual em relação à semana anterior e superou a expectativa dos analistas. A avaliação indica um desenvolvimento mais favorável do que o mercado previa e aumentou a pressão sobre os futuros.
As condições do milho dos Estados Unidos também permaneceram relativamente firmes. O USDA classificou 67% da lavoura como boa ou excelente, 1 ponto percentual abaixo da semana anterior, mas acima dos 66% esperados pelos analistas. Os contratos de milho terminaram em alta após um pregão volátil, embora a avaliação melhor do que a prevista tenha limitado o suporte ao conjunto de grãos e oleaginosas.
Trigo sobe com aumento dos riscos de oferta
Os futuros de trigo avançaram com a continuidade dos combates na região do Mar Negro e a deterioração da qualidade do trigo de primavera dos Estados Unidos. Na segunda-feira, o USDA classificou 53% dessa lavoura como boa ou excelente, ante 58% uma semana antes. A queda de 5 pontos percentuais contrasta com a melhora da soja e cria uma preocupação produtiva mais clara para o trigo.
A InfoQuest também citou analistas segundo os quais os preços de exportação do trigo russo subiram na semana anterior, devido às condições difíceis de navegação no Mar Negro e a uma nova onda de ataques no Estreito de Ormuz. Esses acontecimentos aumentaram a atenção sobre riscos de transporte e abastecimento nas principais rotas de grãos, embora a direção imediata da soja continue mais ligada às perspectivas da safra americana e à realização de lucros.
Previsão para o trigo russo é reduzida
A consultoria agrícola Sovecon reduziu sua previsão para a safra russa de trigo deste ano de 88,9 milhões de toneladas para 88,3 milhões de toneladas. A revisão foi atribuída à perspectiva de menor produtividade nas regiões do sul e a uma área plantada com trigo de primavera inferior à esperada.
O corte de 0,6 milhão de toneladas é pequeno diante da previsão total, mas acrescenta outra preocupação para compradores e exportadores de trigo que acompanham a logística do Mar Negro. Para processadores, comerciantes e importadores de soja, o sinal é diferente: a classificação de 66% da lavoura como boa ou excelente reduz a preocupação imediata com a produção americana e dificulta a continuidade de uma alta baseada apenas em riscos geopolíticos externos. Os próximos relatórios de safra e indicadores de demanda mostrarão se o recuo ficará limitado à realização de lucros ou evoluirá para uma correção mais ampla.
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