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Mercado disponível de soja no Brasil segue estável e Chicago recua após encontro Trump-Xi sem novas compras

A soja encerrou a semana sem direção definida em Chicago depois que o encontro entre Trump e Xi Jinping trouxe a extensão da trégua comercial, mas nenhum novo compromisso de compra chinês. No Brasil, o dólar perto de R$ 5,20 sustentou o disponível, com os portos testando R$ 160 a R$ 170 por saca. Consultorias alertam para o mercado invertido: os futuros operam de R$ 5 a R$ 10 abaixo do disponível.

Mercado disponível de soja no Brasil segue estável e Chicago recua após encontro Trump-Xi sem novas compras

Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago encerraram a semana sem direção clara, enquanto os preços físicos no Brasil se mantiveram majoritariamente estáveis. O aguardado encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping produziu resultados políticos, mas nenhum novo impulso comercial para a oleaginosa. No Brasil, consultorias aproveitaram o ritmo mais lento para alertar o produtor: a curva invertida de preços torna caro carregar o grão para o ano que vem.

Trégua estendida até 10 de novembro, tarifas sem mudança

Segundo o Notícias Agrícolas, os holofotes do mercado internacional na semana estiveram voltados para as negociações entre Trump e Xi, que o consultor de mercado da Hora Certa, Victor Cazzo, classificou como estritamente políticas e protocolares. «O que todo mundo esperava, de fato, acho que ficou de lado. Os dois países têm tanta coisa na mesa — guerra, conflito, balança comercial, inteligência artificial — que a soja acaba ficando como o “filho caçula” na fila das discussões», explicou Cazzo em entrevista à jornalista Carla Mendes no programa Boa Tarde Agronegócio.

Ainda de acordo com o mesmo veículo, as deliberações práticas confirmadas na semana foram:

  • extensão da trégua comercial até 10 de novembro;
  • manutenção das metas de compra chinesas de cerca de 25 milhões a 27 milhões de toneladas de soja, além de US$ 17 bilhões em compras de outros produtos agrícolas norte-americanos;
  • suspensão da venda de US$ 14 bilhões em armamentos dos EUA para Taiwan;
  • acordos preliminares sobre inteligência artificial.

Não houve anúncio de alterações em tarifas capazes de abrir novos fluxos para as commodities agrícolas. Sem estímulos adicionais de demanda, os investidores realizaram lucros na manhã de sexta-feira, embora o Notícias Agrícolas registre que os contratos recuperaram terreno no encerramento da sessão.

Chicago: vendas externas fracas ampliam a pressão

O Notícia Max descreveu um quadro intradiário mais pesado. Por volta das 7h25, no horário de Brasília, na sexta-feira, 25 de setembro, o contrato de soja para novembro recuava 12,75 pontos, a US$ 13,04 por bushel; janeiro era negociado a US$ 13,19 e março, a US$ 13,26, ambos com perdas superiores a 13 pontos. Milho, trigo, farelo e óleo de soja também operavam em queda. Na quinta-feira, o contrato para novembro havia fechado a US$ 13,175 por bushel, baixa de 0,50 centavo de dólar, enquanto janeiro terminou a US$ 13,32, com recuo de 1,75 centavo.

Os dados de demanda não ajudaram. Números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos citados pelo Notícia Max apontam vendas líquidas de soja norte-americana da temporada 2026/27 de 582,4 mil toneladas na semana encerrada em 17 de setembro, abaixo das expectativas do mercado. Separadamente, exportadores privados comunicaram uma venda de 120 mil toneladas à China para entrega na mesma temporada. Sem a confirmação de compras chinesas na escala aguardada, os operadores passaram a retirar o prêmio incorporado aos preços.

Brasil: dólar firme sustenta o disponível

No mercado físico, o dólar negociado em torno de R$ 5,20 — diante de incertezas fiscais e da política de juros nos EUA — sustentou as cotações do disponível. O Notícias Agrícolas registrou negócios em Sorriso (MT) entre R$ 135 e R$ 138 por saca, enquanto Uberlândia (MG) e Dourados (MS) operaram na casa dos R$ 140 por saca, com o porto testando patamares de até R$ 160 a R$ 170.

No Rio Grande do Sul, as referências permaneceram estáveis: segundo a consultoria TF Agroeconômica, citada pelo Notícia Max, a saca foi cotada a R$ 156,00 em Passo Fundo, R$ 157,00 em Santa Rosa e R$ 164,00 em Rio Grande. O preço mais alto no porto indica sustentação da demanda de exportação, enquanto a comercialização no interior segue limitada, e a valorização do dólar preserva a paridade de exportação sem ter levado os produtores a ampliar as vendas. Santa Catarina não apresentou mudança estrutural relevante e, nos dois estados, a comercialização permanece seletiva: produtores com armazenagem e flexibilidade financeira esperam, enquanto vendas pontuais atendem necessidades imediatas.

O alerta sobre o mercado invertido

Cazzo destacou a discrepância entre o disponível e as cotações futuras. «Hoje, se o produtor olhar o preço futuro, há um desconto de R$ 5 a R$ 10 de inverso de mercado. Para quem tem soja no disponível ou balcão, carregar esse grão para o ano que vem traz uma grande chance de perder esse prêmio», alertou o especialista, recomendando cautela e análise da logística regional antes de segurar produto.

Com o ritmo comercial mais lento, o produtor concentra esforços na semeadura, marcada por contrastes regionais expressivos. O Sul do país enfrenta atrasos provocados pelo excesso de umidade, enquanto áreas do Centro-Oeste, como Mato Grosso, ainda aguardam chuvas consistentes. No Sul, a perspectiva de chuvas frequentes na primavera pode favorecer a disponibilidade de água, mas episódios de precipitação concentrada reduzem as janelas de entrada das máquinas e dificultam a implantação uniforme das lavouras. A liderança da Aprosoja Lucas Costa Beber estimulou os produtores: «Plantem, semeiem, façam o seu melhor onde vocês podem fazer. O resto vamos mitigando e equilibrando». Nas próximas semanas, a precificação deve se apoiar no clima das lavouras sul-americanas, no ritmo das compras chinesas, no avanço da colheita norte-americana e na evolução do câmbio e dos juros.

Análise completa do mercado

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