Severstal: consumo de metal na Rússia caiu 16% em janeiro-agosto de 2026 frente ao nível de 2024
O consumo de metal na Rússia caiu 16% em janeiro-agosto de 2026 em relação ao mesmo período de 2024, segundo estimativas da Severstal citadas pelo Kommersant. No primeiro trimestre, recuou para 8,5 milhões de toneladas, o nível mais baixo desde 2021. Analistas não esperam recuperação relevante da demanda antes do segundo semestre de 2027.
O consumo de metal na Rússia caiu 16% em janeiro-agosto de 2026 em relação ao mesmo período de 2024, segundo estimativas da Severstal citadas pelo Kommersant. A base de comparação usada é 2024, e não 2025, o que indica uma contração acumulada ao longo de dois anos e não uma única temporada fraca. Analistas e participantes do mercado ouvidos pelo jornal não esperam recuperação relevante da demanda antes do segundo semestre de 2027.
A estimativa foi apresentada por Dmitry Maksimov, diretor de marketing da Severstal, na conferência "Mercados de laminados: vendas, produção, estratégia". O consumo não está se recuperando em 2026, afirmou: no primeiro trimestre caiu para 8,5 milhões de toneladas, o nível mais baixo desde 2021. Esse número trimestral dá a dimensão do problema para usinas cuja capacidade foi dimensionada para uma demanda puxada pela construção.
Três segmentos em retração simultânea
Maksimov atribuiu a fraqueza a uma desaceleração simultânea nos principais setores consumidores:
- Construção residencial: o custo elevado do crédito e o esfriamento do mercado de moradia reduzem os pedidos de aço.
- Construção de máquinas: corte nos programas de apoio e pressão das importações sobre os produtores domésticos.
- Obras de infraestrutura: adiamento dos prazos de grandes projetos e menor intensidade metálica dos novos empreendimentos.
O último fator vai além do ciclo atual. Menor intensidade metálica significa que mesmo a retomada integral da carteira de infraestrutura não devolveria a tonelagem que um volume comparável de investimento gerava antes. Para produtores de vergalhão, perfis e chapa grossa, o que muda não é o calendário, mas o teto do mercado interno.
Custos em alta com volumes em queda
A Severstal também apontou o lado dos custos. Segundo Maksimov, o setor enfrenta pressão adicional da alta das tarifas dos monopólios naturais, das despesas logísticas e dos custos de mão de obra. Para as margens isso pesa mais do que a queda de volume isolada: os custos fixos se distribuem por menos toneladas, enquanto frete e salários por tonelada sobem. As usinas que operam abaixo da capacidade nominal absorvem essa diferença diretamente.
O custo do dinheiro atua nos dois lados da equação. O custo elevado do financiamento é a primeira razão citada pelos analistas ouvidos para a recuperação adiada: ele contém a demanda de incorporadoras e compradores de equipamentos e, ao mesmo tempo, encarece a manutenção de estoques e capital de giro durante a queda.
Construtoras já consideram o ano perdido
Andrey Yudanov, diretor de construção da Balchug Development, afirmou que para as construtoras este ano já está perdido e que não há como contar com recuperação da demanda vinda da construção residencial, segundo o Kommersant. A avaliação importa para a sequência de qualquer retomada: projetos residenciais iniciados em um período geram compras de aço nos trimestres seguintes, de modo que uma carteira vazia em 2026 limita mecanicamente o consumo também em 2027.
O que o horizonte de 2027 implica
Colocar o segundo semestre de 2027 como ponto mais cedo de uma recuperação relevante deixa o setor com cerca de mais um ano e meio nas condições atuais. Nessa janela, as variáveis realmente controláveis pelas usinas russas são a disciplina de produção, a parcela do volume colocada fora do mercado interno e o controle de custos diante de tarifas e salários que sobem independentemente do nível de utilização.
Para distribuidores e centros de serviço, a leitura dos números publicados pelo Kommersant é que não há ciclo de recomposição de estoques a antecipar. Estoque formado na aposta de um repique em 2026 seria financiado a juros altos em um mercado ainda em contração, e as causas citadas pela Severstal - condições de crédito imobiliário, programas de apoio, prazos de projetos - são decididas fora da própria siderurgia.