Entidades agrícolas do Paquistão ameaçam protestos contra plano de milho transgênico
Agricultores, exportadores, cientistas e empresas de sementes do Paquistão se opõem à possível autorização do cultivo comercial de milho transgênico. Eles alertam para riscos às exportações não transgênicas, incluindo mais de US$ 1 bilhão em comércio de arroz basmati, e para uma dependência maior de sementes importadas.
Plano para o milho mobiliza oposição no setor agrícola
Agricultores, exportadores, cientistas, processadores e representantes da indústria de sementes do Paquistão ameaçaram realizar protestos nacionais caso o governo autorize o cultivo comercial de milho geneticamente modificado. A coalizão avalia que a medida pode colocar em risco as exportações agrícolas, as empresas nacionais de sementes e a biossegurança do país.
Segundo o Profit, representantes de toda a cadeia do milho se reuniram na Câmara de Comércio e Indústria de Lahore sob a plataforma Zarai Ittehad Pakistan. Organizações de agricultores, exportadores de arroz, processadores de milho, empresas de sementes, acadêmicos e outros grupos agrícolas rejeitaram por unanimidade o cultivo comercial e prometeram mobilização nacional se o plano avançar.
A reportagem não informou o cronograma detalhado nem as condições previstas pelo governo para a autorização. Os opositores, porém, afirmaram que as autoridades caminham para aprovar a tecnologia e questionaram a forma de consulta às partes interessadas.
Exportadores defendem acesso aos mercados não transgênicos
A Rice Exporters Association of Pakistan e a Basmati Growers Association disseram que o milho transgênico pode comprometer a separação necessária para manter cadeias agrícolas não transgênicas. A preocupação ultrapassa o mercado de milho, pois uma mistura acidental ou contaminação pode afetar a avaliação dos produtos paquistaneses por compradores europeus e de outros mercados internacionais.
Farooq Bajwa, presidente da Basmati Growers Association, afirmou que a posição do Paquistão nos mercados internacionais depende da preservação do caráter não transgênico de seus produtos. As entidades destacaram a possível exposição do comércio de arroz basmati, avaliado em mais de US$ 1 bilhão, caso os compradores passem a questionar a rastreabilidade ou o risco de contaminação.
Os processadores de milho apresentaram preocupações semelhantes sobre as exportações de produtos não transgênicos. Uma introdução comercial exigiria separação, testes e rastreabilidade confiáveis na distribuição das sementes, no cultivo, no armazenamento e no processamento. A reportagem não estimou o custo desses controles nem apresentou indícios de que compradores externos já tenham alterado suas políticas de aquisição.
Produtividade, fornecimento de sementes e consulta em disputa
Khalid Mahmood Khokhar, presidente da Pakistan Kissan Ittehad, questionou a necessidade agronômica do milho transgênico. Ele afirmou que a produtividade do milho paquistanês já é o dobro da indiana e comparável à dos Estados Unidos, enquanto a pressão de pragas e doenças não justifica a introdução da tecnologia. As comparações foram apresentadas por Khokhar e não vieram acompanhadas de dados de produção na reportagem.
Representantes da indústria local de sementes alertaram que a adoção pode aumentar a dependência de sementes transgênicas importadas e prejudicar empresas nacionais. Cientistas e especialistas do setor também afirmaram que interrupções no fornecimento estrangeiro criariam riscos para a agricultura paquistanesa. Rizwanullah Khan, da Kissan Board Pakistan, disse que a proposta pode ampliar o controle estrangeiro sobre o mercado de sementes e enfraquecer variedades locais de milho e empresas domésticas.
A coalizão também criticou o processo de consulta. Os participantes alegaram que um comitê federal liderado pelo ministro das Finanças ouviu multinacionais, mas excluiu organizações de agricultores e entidades da indústria de sementes registradas no país. Os especialistas Dr Anwarul Haq, Dr Ubaidur Rehman, Bilal Ahmed e Shafiqur Rehman também contestaram o que classificaram como exclusão de cientistas e pesquisadores locais. A disputa envolve, portanto, não apenas a tecnologia, mas também as garantias às exportações, a segurança do fornecimento de sementes e a participação no processo de autorização.