Senegal reabre importações de açúcar em meio a disputa sobre o abastecimento
O Senegal voltou a autorizar importações de açúcar a partir de 15 de julho, encerrando a suspensão iniciada em dezembro de 2025. O governo cita estoques menores e maior procura antes do Magal e do Gamou, enquanto o único produtor nacional afirma poder abastecer o mercado até o fim de agosto.
Importações retornam antes das festas de agosto
O Senegal voltou a autorizar importações de açúcar a partir de 15 de julho, encerrando uma suspensão introduzida em dezembro de 2025. Segundo o La Tribune, o Ministério da Indústria e do Comércio afirmou que a medida pretende garantir o abastecimento do mercado e antecipar o aumento da procura durante as celebrações religiosas do Magal e do Gamou em agosto.
O consumo nacional de açúcar é de 25.000 toneladas por mês, em média, e pode aumentar significativamente durante o período festivo, segundo um comunicado oficial citado pelo La Tribune. As autoridades também informaram que os estoques da Compagnie sucrière du Sénégal, ou CSS, haviam diminuído até 13 de julho.
O governo declarou que as importações complementam tradicionalmente a produção local em agosto, setembro, outubro e novembro. Também defendeu que a reabertura do mercado continua compatível com as políticas de substituição de importações, fortalecimento da indústria açucareira nacional e proteção do poder de compra da população.
CSS contesta o momento da abertura
A CSS, única produtora de açúcar do Senegal e empresa controlada pelo Groupe Mimran, discorda da avaliação do governo. O assessor da companhia Louis Lamotte afirmou que há açúcar suficiente para abastecer o mercado até o fim de agosto. A produtora calcula que ainda restam 50.000 toneladas de sua produção anual.
A CSS produz aproximadamente 140.000 toneladas de açúcar por ano. A empresa argumenta que a entrada de produto importado a partir de meados de julho pode dificultar a venda do açúcar nacional justamente quando tenta comercializar sua safra e preservar o equilíbrio econômico de suas operações.
Lamotte também acusou as autoridades de enfraquecer os incentivos à produção local e questionou se a decisão favoreceria os importadores. A disputa expõe um conflito recorrente da política pública: o governo precisa evitar a escassez e limitar a pressão sobre os preços ao consumidor, mas também deve deixar espaço comercial suficiente para a produtora nacional vender seus estoques e recuperar seus custos.
Produção nacional permanece abaixo do consumo
O Senegal consome quase 300.000 toneladas de açúcar por ano, mais que o dobro da produção anual aproximada da CSS. Dados da Agência Nacional de Estatística e Demografia citados pelo La Tribune mostram que o país importou 264.000 toneladas de açúcar bruto e refinado em 2024. Essas compras somaram 59,3 bilhões de francos CFA, equivalentes a cerca de €90,4 milhões.
Os números demonstram que o Senegal continua dependente da oferta externa, embora o governo promova a soberania alimentar e a substituição de importações. Para importadores e negociantes, a autorização restabelece o acesso a um mercado que normalmente precisa de açúcar estrangeiro durante vários meses do ano. Para a CSS, o risco imediato é que as cargas importadas cheguem antes da venda das 50.000 toneladas restantes. O desafio do governo, portanto, não é decidir se as importações são necessárias ao longo do ano, mas administrar como seu calendário afeta a disponibilidade, os preços e a posição comercial da única produtora do país.
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