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Setor de arroz do Senegal pressiona Dacar: 250 mil toneladas encalhadas

O setor arrozeiro do Senegal alerta que cerca de 250 mil toneladas de produção local estão armazenadas sem compradores, pressionadas por arroz importado mais barato. Os produtores acusam o Estado de não cumprir acordos que priorizavam o arroz local e boicotaram uma reunião em 8 de julho no Ministério da Indústria e do Comércio.

Setor de arroz do Senegal pressiona Dacar: 250 mil toneladas encalhadas

O setor arrozeiro do Senegal soou o alarme diante de cerca de 250 mil toneladas de arroz de produção local que continuam armazenadas sem compradores, com o mercado saturado por arroz importado mais barato. Segundo a RFI, os operadores do setor afirmam lutar para sobreviver e pedem ao governo que aja, enquanto Dacar faz da soberania alimentar uma prioridade declarada.

Estoques se acumulam no vale do rio Senegal

A RFI informa que 37 mil toneladas de arroz branco estão imobilizadas no vale do rio Senegal. No norte do país, a União dos Produtores da delegação de Dagana mantém 36 mil toneladas em armazéns lotados por falta de compradores. A isso somam-se 49 mil hectares colhidos desde o início do ano, ou seja, cerca de 294 mil toneladas de arroz bruto não descascado.

Os atores do setor descrevem a situação como "inédita" e falam em uma "crise de comercialização sem precedentes". O problema central é o caixa: sem vendas não há receita, nem forma de pagar o banco, nem de iniciar uma nova campanha de colheita.

Importações asiáticas mais baratas pressionam a oferta local

Marie Rassoul, secretária-geral da Associação Nacional dos Arrozeiros do Senegal, aponta a continuidade da importação de arroz asiático de menor qualidade, vendido a 300 francos CFA o quilo. As importações mais baratas cobrem os meses em que a produção senegalesa não é suficiente, mas também concorrem diretamente com a safra nacional.

Rassoul denuncia a ausência de regulação do mercado e a falta de medidas firmes para priorizar o arroz local. A tensão contrasta com a própria meta do governo: o prazo do Senegal para a autossuficiência em arroz continua fixado em 2030.

Compromissos descumpridos e uma reunião boicotada

Segundo a RFI, um acordo assinado com as autoridades em novembro passado fixou as importações em 100 mil toneladas e estipulou que 10% do arroz deveria vir da produção local. Rassoul afirma que esse compromisso não foi cumprido. O mesmo vale, segundo ela, para um subsídio prometido de 50 francos CFA aos importadores de arroz para incentivá-los a comprar o arroz local, que custa 50 francos CFA a mais por quilo do que o importado.

  • cerca de 250 mil toneladas de arroz local encalhadas no país
  • 37 mil toneladas de arroz branco imobilizadas no vale do rio Senegal
  • 36 mil toneladas em poder dos produtores da delegação de Dagana
  • 49 mil hectares colhidos, cerca de 294 mil toneladas de arroz bruto
  • arroz asiático importado a 300 francos CFA o quilo

Alegando falta de compromissos consistentes, os atores do setor boicotaram uma reunião no Ministério da Indústria e do Comércio em 8 de julho de 2026. Os produtores veem uma contradição entre o impulso à soberania alimentar e a incapacidade de proteger a safra nacional do arroz importado mais barato. Por ora, os estoques encalhados imobilizam o capital de que agricultores e beneficiadores precisam para pagar dívidas e preparar o próximo plantio.

Análise completa do mercado

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